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Posts Tagged ‘tradição’

[Publicação original: 28 de março de 2006]

Alegria e Esperança

Não é novidade para ninguém que me conheça, um mínimo que seja, o meu interesse pela Liturgia da Igreja e a minha predileção pelas “coisas antigas”, pelo Rito do qual participaram os santos através de séculos de catolicismo, pelo Santo Sacrifício de Nosso Senhor celebrado segundo as fórmulas anteriores à Reforma Litúrgica do século XX.

Não pretendo, aqui, fundamentar a minha opinião sobre a Reforma, nem explicar detalhadamente ambos os ritos e a diferença entre ambos, nem nada disso. Hoje, quero apenas aproveitar o Gaudete et Laetare do domingo último para expressar a minha felicidade e as minhas mais vivas esperanças em relação às mudanças que se anunciam no Horizonte da História, e que, lá longe, em Roma, já podem ser visualizadas.

Os órgãos de imprensa estão anunciando, abundantemente, esses dias, que o Papa está interessado no problema dos lefebvristas e do Missal de S. Pio V. Para quem não está por dentro da situação, uma rápida pincelada no quadro geral:

Lefebvristas são os membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por D. Marcel Lefèbvre. São padres que não aceitaram o Concílio Vaticano II e o Missal promulgado por Paulo VI, tendo permanecido na celebração da Missa Antigo, no rito de S. Pio V. Hoje, encontram-se oficialmente em cisma [p.s.: porque Dom Lefèbvre sagrou bispos sem mandato pontifício, incorrendo – junto com os bispos sagrados – em excomunhão latae sententiae], e em negociações com a Santa Sé para que possam voltar à comunhão da Igreja. Cabem muitas considerações aqui, mas não as vou fazer por hoje.

O Missal de S. Pio V é o missal que contém o rito da missa celebrado até cerca de quarenta anos atrás, antes da Reforma Litúrgica. Hoje em dia, só pode ser celebrado sob licença especial do Bispo local. Também aqui cabem muitas considerações, mas, como disse no início, não as vou fazer.

Pois muito bem: pelas notícias que me chegam, parece-me que Sua Santidade Bento XVI estaria pensando em um acordo de reconciliação com os padres da Fraternidade, e em uma liberação universal do Missal de S. Pio V. Se isso vier realmente a acontecer, teremos dois efeitos maravilhosos:

1- Todos os seminários da Fraternidade estarão a serviço de Roma. E (apesar de algumas questões sobre as quais não vale a pena entrar em detalhes agora) todos dizem que seus seminários são excelentes.

2- A Missa de São Pio V poderá ser celebrada livremente, sem a necessidade da licença do Bispo Local que, hoje em dia, é o maior entrave à popularização desse rito.

Esses efeitos, a meu ver, são maravilhosos porque:

1) A presença de bons seminários seria uma valorosa ajuda para elevar o péssimo nível dos sacerdotes que (com honrosas exceções) (des)orientam os católicos, nesses nossos dias difíceis.

2) A presença regular de missas celebradas segundo o rito antigo seria uma valorosa ajuda para resgatar o senso de sagrado que (novamente, com honrosas exceções) não existe nos católicos atuais.

As notícias são animadoras. O Pastoralis[1] noticia:

O Cardeal Francis Arinze, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, abordou, à tarde o tema da reforma litúrgica pós-conciliar e a utilização do Missal de São Pio V. Sobre este assunto se destacou o interesse do Pontífice em escutar o parecer dos cardeais sobre se o Missal, vigente até 1962, deveria receber um indulto universal; quer dizer, se poderá ser utilizado livremente na Igreja, sem necessidade de uma aprovação explícita do Bispo local, como atualmente requerem as normas.

O ZENIT[2] nos diz que, numa reunião na Quinta Feira última para discutir os grandes desafios que a Igreja enfrenta atualmente, foram colocados três temas de particular importância: a Igreja e o Islã, a questão dos bispos eméritos, e as negociações com a Fraternidade São Pio X.

De minha parte, fico feliz que as coisas estejam tomando este rumo. Ano passado, chateado com a nulidade dos meus esforços para que a Liturgia da Igreja fosse adequadamente celebrada na paróquia que frequento, escrevi (5 de agosto de 2005[3]), em tom de desabafo:

Estou cansado de missinhas animadazinhas, estou cansado de padres que parecem muito mais organizadores de encontros sociais que Sacerdotes do Deus Altíssimo, estou cansado de ‘fiéis’ que vão à missa para ‘viver o amor de Cristo’ e não para participar do Sacrifício do Filho de Deus! Será que sou só eu? Será que somente eu sinto vontade de poder assistir duas missas iguais, independente de quem seja o celebrante? Será que sou só eu que tenho dificuldade em enxergar, na Igreja, o Cristo Vítima e Sacerdote por detrás dos cantos protestantes no momento da consagração?

E terminei, em súplica, com o salmista:

“Voltai, ó Deus dos exércitos; olhai do alto céu, vede e vinde visitar a vinha.

Protegei este cepo por vós plantado, este rebento que vossa mão cuidou.

Aqueles que a queimaram e cortaram pereçam em vossa presença ameaçadora.

Estendei a mão sobre o homem que escolhestes, sobre o homem que haveis fortificado.E não mais de vós nos apartaremos; conservai-nos a vida e então vos louvaremos.

Restaurai-nos, Senhor, ó Deus dos exércitos; mostrai-nos serena a vossa face e seremos salvos.”

(Sl 79, 15-20)

Agora, vários meses depois, alegro-me sobremaneira em ver a minha prece – na época tão distante, e tão improvável! – ganhar traços de realização. Louvado seja Deus! E que rezemos, incessantemente, confiantemente, para que o Espírito Santo produza a autêntica renovação da Sua Igreja, para a maior glória de Deus e salvação das almas.

Referências:

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O Fratres in Unum publicou os extensos comentários de Dom Fernando Rifan sobre o levantamento das excomunhões dos bispos da FSSPX. São dezoito páginas, que falam sobre assuntos os mais diversos, desde as críticas da Fraternidade quando da criação da Administração Apostólica, passando pela excomunhão de Dom Mayer, até – mais importante – as “QUESTÕES DOGMÁTICAS E ECLESIOLÓGICAS QUE O CARDEAL RICARD DISSE QUE PRECISAM SER RESOLVIDAS PARA TERMINAR O CISMA”.

Ninguém nega a existência de questões teológicas seriíssimas a serem discutidas – e com a máxima urgência – dentro da Igreja; ninguém nega que a Fé Católica é, infelizmente, muitíssimo pouco conhecida neste mundo que tem tanta necessidade do Salvador; ninguém nega que, dolorosamente, contribuem para estas estatísticas não poucos “católicos” de péssima formação. Estou particularmente convencido, no entanto, de que todas essas coisas precisam ser resolvidas do jeito certo, sem “desperdiçar munição” com questões de somenos importância e sem inventar inimigos para engrossar as já enormes fileiras dos inimigos reais contra os quais é mister combater.

Vejo muito isso quando me deparo com alguns comentários mais exaltados de certos católicos que – não tenho dúvidas! – sofrem com a situação atual da Igreja e desejam sinceramente que Ela seja exaltada. De ontem para hoje recebi um email dizendo que Dom Rifan “debandou para o lado modernista de vez”, e pensei cá com os meus botões o que raios poderia significar isso. Talvez fosse uma referência aos comentários que o Fratres publicou… mas, de qualquer modo, incomoda-me tremendamente esta visão grosseira sobre os fatos, segundo a qual são “ilicitilizadas” quaisquer posições que destoem, um mínimo que seja, da cartilha de um certo “tradicionalismo” – as aspas são aqui colocadas pelos motivos já por mim explicados – que pretende ser ele próprio a Coluna e Sustentáculo da Verdade, prescindindo da Igreja fundada por Cristo.

Não vejo necessidade alguma de que Campos e os padres da FSSPX comecem a travar uma guerra agora. Há coisas mais importantes a serem feitas. No entanto, para que tal embate improfícuo seja evitado, é necessário que alguns católicos parem de considerar posições completamente lícitas como se fossem “traições da Fé”. Em particular, remeto à carta do então cardeal Ratzinger a Mons. Lefebvre, de 23 de dezembro de 1982, reproduzida por Dom Fernando Rifan, que pede a assinatura do bispo francês para duas proposições muito simples:

1. Eu, Marcel Lefebvre, declaro minha adesão com religiosa submissão de espírito à integridade da doutrina do Concílio Vaticano II, ou seja, doutrina « enquanto se entende a luz da santa Tradição e enquanto se refere ao perene magistério da propria Igreja (cf. Joao Paulo II, Alocução ao Sacro Colégio, 5 nov. 1979, AAS LXXI (1979/15) p. 1452). Esta religiosa submissão leva em conta a qualificação teológica de cada documento, como foi estatuída pelo próprio Concílio (Notificação dada na 123a Congr. Geral, 16 nov. 1964).

2. Eu, Marcel Lefebvre, reconheço que o Missal Romano, estabelecido pelo Sumo Pontífice Paulo VI para a Igreja universal, foi promulgado pela legítima suma autoridade da Santa Sé, a quem compete na Igreja o direito da legislação litúrgica, e por isso mesmo e em si mesmo legítimo e católico. Por isso, não neguei nem negarei que as missas fielmente celebradas segundo o novo rito sejam válidas e também de nenhum modo desejaria insinuar que elas sejam heréticas ou blasfemas nem pretendo afirmar que devam ser evitadas pelos católicos.

Sinceramente, não consigo ver como tais proposições possam ser “intrinsecamente más”, para que não pudessem de modo algum ser aceitas por católicos sob pena de constituírem uma apostasia ou uma capitulação ao modernismo (muitíssimo ao contrário, não consigo ver nenhum motivo razoável para que elas não fossem, em substância, aceitas). Eu próprio subscreveria (e subscrevo) a declaração acima; e, para que se possa trabalhar eficazmente na solução da crise da Igreja, é de fundamental importância que os católicos não considerem um “modernista” ou um “apóstata” ou um “traidor da Fé” quem fizesse semelhante declaração.

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Eu tenho apreço pelos católicos que “defendem a Tradição”, mesmo quando estou sinceramente convencido de que eles estão fazendo grandes besteiras. Não dá para “deixar passar” todas as coisas que eles fazem, apontando os seus canhões contra as coisas santas que eles tomam pelas causadoras dos problemas que a Igreja hoje atravessa; sempre me bate uma profunda angústia quando eu imagino todo o bem que estas pessoas poderiam fazer se militassem ao lado da Igreja mas, desgraçadamente, hoje se lançam em combate contra Ela, numa luta inglória fadada certamente ao fracasso, porque a Igreja não pode ser destruída, e será infalível e miseravelmente reduzida a pó qualquer obra humana que tencione colocar-se contra Ela. Nestes “defensores da Tradição”, o que me incomoda tremendamente é aquilo que eles poderiam ser, mas não o são…

Foi neste sentido que fiquei verdadeiramente feliz ao ser tornado público o decreto que levantava as excomunhões dos quatro bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. O momento era de alegria, posto que pessoas zelosas pela Sã Doutrina, sedentas pela maior glória de Deus e pela salvação das almas, de uma envergadura intelectual espantosa, poderiam, enfim, militar ao lado da Igreja contra os Seus inimigos que, hoje em dia, são tão numerosos. É forçoso reconhecer que há menos divergências entre um “rad-trad” e um católico do que entre um católico verdadeiro e um “católico self-service” dos que parecem ter virado o padrão de catolicismo nos dias atuais. Nada melhor do que se esforçar sinceramente para sanar estas divergências e congregar, em torno do Papa, aquelas pessoas que estão sinceramente dispostas a dar a vida pelo Sucessor de Pedro.

No entanto, como eu comentei sábado último e como era evidente, as feridas abertas durante os anos de separação não podem ser simplesmente cicatrizadas por meio de documentos vindos de Roma. O caminho, infelizmente, parece ainda ser longo e cheio de espinhos; para trilhá-lo como convém, é fundamental que nos concentremos naquilo que é realmente importante, sem perder tempo com questões secundárias e sem alfinetadas inúteis que não contribuem para a exaltação da Santa Madre Igreja e para a solução da crise que, hoje, atormenta a Esposa de Nosso Senhor.

Refiro-me, em particular, à questão da excomunhão de Dom Lefebvre e Dom Mayer. É sinceramente frustrante ver as pessoas ligadas à FSSPX darem tamanha importância a isto, como se fosse conditio sine quae non para que qualquer outra coisa venha a ser feita! Não têm a mesma ordem de importância a Lex Orandi, a Lex Credendi e os atos jurídicos do Santo Padre; a questão da santidade da Missa Gregoriana e da imutabilidade da Fé Católica não estão no mesmo patamar da questão da existência ou não de uma excomunhão com a qual foram fulminados dois bispos há duas décadas. E isto, a julgar por algumas colocações que são feitas, não parece, absolutamente, estar bem claro na cabeça dos “defensores da Tradição”.

É absolutamente necessário separar o que é essencial do que é secundário. É essencial afirmar com muita clareza que a Fé Católica e Apostólica não pode ter mudado ao longo dos últimos quarenta anos; é essencial afirmar que o rito com o qual a Santa Igreja ofereceu à Trindade Santa, ao longo dos séculos, o Sacrifício do Corpo e Sangue do Senhor, não pode ser senão santo, e reclamar o seu lugar na Igreja dos nossos dias. No entanto, não é essencial fazer uma “justiça” (bem discutível) à memória de dois homens simplesmente porque, no passado – entre outras coisas bem discutíveis -, ambos lutaram por aquilo que reconhecemos ser essencial.

A Fé é essencial na Igreja, a Liturgia é essencial na Igreja. Mas pessoas particulares não são. A Igreja precisa sem dúvidas manter a Sua identidade, mas a Igreja não depende de Dom Lefebvre, é Dom Lefebvre quem depende da Igreja. Esta verdade óbvia parecer ser, no entanto e infelizmente, sistematicamente ignorada por algumas pessoas que parecem condicionar o seu serviço à Igreja à declaração de nulidade das excomunhões de 1988. Quem faz isso comete um erro crasso no valor que atribui às coisas das quais a Igreja precisa. E os resultados são péssimos.

Dir-me-ão que é questão de Justiça limpar a memória de pessoas que consumiram a sua vida a serviço da Igreja de Cristo, e com isso eu concordo completamente. Acontece que, como eu já disse, esta justiça é bastante discutível; Dom Lefebvre não foi excomungado por defender a Fé da Igreja, e sim por fazer ouvidos surdos às súplicas desesperadas do Santo Padre (que é quem possui autoridade e graça de estado para discernir o que é melhor para a Igreja) e, expressamente à revelia dele, cometer o ato objetivamente ilícito de sagrar quatro bispos sem ter mandato pontifício para tanto. É preciso deixar muito bem claro que a defesa da Missa e da Fé da Igreja não está intrinsecamente relacionada à justiça ou injustiça de uma pena imposta por causa de uma sagração episcopal objetivamente ilícita. Podem dizer que foi somente devido às “atitudes heróicas” do bispo francês que, hoje, nós podemos ter o que temos, mas esta futurologia do passado é também discutível, porque eu posso dizer (e acho sinceramente) que, não fossem as atitudes extremadas de alguns membros da hierarquia católica, as discussões sobre a Fé da Igreja e a manutenção da Missa Gregoriana teriam sido bem menos traumáticas. Mas esta discussão – e é exatamente o que estou tentando dizer aqui – não é a mais relevante no momento, pois o que realmente interessa é como as coisas são, e não como elas poderiam ter sido.

É também perfeitamente possível e lícito argumentar que havia um estado de necessidade (subjetivo, óbvio), e pode-se concordar com esta discussão, mas o que não se pode fazer é considerar que tal debate tem a mesma importância da defesa intransigente da Fé, porque não tem. É muito mais importante e necessário defender a Fé. As duas coisas não são necessariamente excludentes, mas no caso concreto são sim, porque todos estão de acordo com a importância de se defender a Igreja mas nem todos estão de acordo sobre as atitudes de Dom Lefebvre. E a primeira coisa é fundamental, enquanto a segunda é secundária. Provoca-me profunda angústia ver que, no meio do incêndio, há pessoas que condicionam o trabalho de apagá-lo à discussão prévia sobre uma decisão já tomada, perdendo tempo com isso, enquanto o fogo consome tudo, as almas são perdidas, o Inferno faz festa e Satanás zomba de Nosso Senhor.

Que o Espírito Santo nos faça dar a cada questão a importância que ela tem; que nós não percamos o senso das proporções. Que aproveitemos o momento propício para defender a Igreja de Cristo, sem arroubos passionais e sem colocar pré-condições que não sejam absolutamente necessárias para aquilo que precisa ser feito. Há muito trabalho a fazer para que nós possamos nos dar ao luxo de perder tempo com discussões que não sejam absolutamente essenciais.

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Sua tataravó teve catorze filhos; sua bisavó teve quase o mesmo número; para sua avó, três foram o bastante; e sua mãe não queria nem você, você foi somente um acidente. E você, minha garota, você vai de parceiro em parceiro, e quando você comete algum engano, escapa dele por meio do aborto. Mas algumas manhãs você acorda chorando depois de ter sonhado à noite com uma grande mesa arrodeada de crianças.

Ontem, tendo saído com alguns amigos, nada melhor do que devaneios em mesas de bar. Entre uma cerveja e um cigarro; falávamos sobre a sociedade atual, sobre o feminismo, sobre o valor da mulher, da pureza, da castidade, da virgindade, sobre a libertação sexual, sobre o Cristianismo. Falávamos, enfim, sobre a vida.

Um amigo economista nos mostrava como o feminismo, através da pretensa defesa das mulheres, tem contribuído para tornar a vida delas um verdadeiro pesadelo. Falávamos de diversas coisas; da fertilidade das mulheres (que é muito mais sensível ao tempo do que a masculina), da óbvia diminuição populacional em países cujos cidadãos “inteligentes” e “superiores” tinham poucos filhos, das óbvias conseqüências desastrosas desta regressão populacional, da suposta luta de classes entre os homens e as mulheres… enfim, sobre diversas coisas. Daria para escrever um livro, como sugerimos, brincando, em certo momento da noite. Dentre todas essas coisas que foram faladas, contudo, gostaria de escrever um pouco aqui sobre a crueldade que o feminismo faz sobre as mulheres.

Em particular, por meio da imposição de uma espécie de “ditadura da beleza”! Oras, se a revolução sexual segue o caminho absurdo de, ao invés de valorizar a pureza femina, valorizar a promiscuidade universal, quem é que sai perdendo nesta história? As mulheres, sem dúvidas. Porque se a sexualidade é livre e se a satisfação sexual é o parâmetro que mede a felicidade, e se é necessário ter mais e mais parceiros (como a menina da canção em epígrafe), então o tempo, que tem efeitos terríveis sobre as mulheres, vai inevitavelmente transformar a felicidade da juventude em frustração na idade adulta. Se as mulheres precisam “disputar” entre si para conseguir parceiros sexuais, a disputa pode ser justa dentro da faixa etária da juventude. Sempre há, entretanto, meninas jovens, e as mulheres, conforme envelhecem, vão precisar disputar com as novas gerações que vêm surgindo – o que, sem dúvidas, não é uma disputa justa. A abundância de pretendentes, a beleza física da flor da juventude, a sensação de ser desejada… tudo é palha e vira pó com o passar dos anos. E então vem a frustração.

Como canta Tom Zé: “A Brigitte Bardot está ficando velha, / envelheceu antes dos nossos sonhos. / Coitada da Brigitte Bardot,  / que era uma moça bonita, / mas ela mesma não podia ser um sonho / para nunca envelhecer”. E como conversávamos ontem: se não for para a edificação da família que estiver ordenada a faculdade sexual, a frustração é inevitável. E, para as mulheres, é ainda mais doloroso, porque a maternidade está profundamente inscrita em cada mulher. Isto significa que precisamos resgatar alguns valores perdidos; valores como castidade, pureza, virgindade. Valores como família, como filhos.

A Ditadura da Beleza joga as mulheres numa guerra sem vitória possível. Porque o tempo é destruidor certo de toda a beleza da juventude; e as novas gerações são concorrentes de peso, contra as quais as mulheres mais velhas têm pouca ou nenhuma chance. Não adianta buscar a beleza e os atrativos do corpo; importa buscar os filhos e a construção da família, única satisfação realmente duradoura. Dizia o meu amigo economista que a mãe dele estava com setenta e não sei quantos anos, e a cada ano que passava, mais bonita ela ficava para ele. Em compensação, as “velhas solteironas” que nunca quiseram formar uma família para aproveitar a sua “liberdade sexual”, muito antes do que gostariam viram a sua liberdade ser destruída por causa dos efeitos do tempo. E, quando se percebe isso, via de regra é tarde demais; famílias só se constroem na juventude.

Contra a Ditadura da Beleza ergue-se como defensor das mulheres o Cristianismo, e em particular o Matrimônio Indissolúvel. Sim, porque a mulher sabe não ter condições de competir com outras mulheres indefinidamente; a Doutrina Católica vai dizer, todavia, que o marido dela, não importa o que aconteça, não importa quantas “concorrentes” apareçam, tem obrigação de estar com ela até que a morte os separe. A indissolubilidade matrimonial vai dizer que o marido deve se importar com a sua mulher e não com nenhuma outra. O que mais uma mulher quer? Que segurança maior que essa a mulher poderia esperar? Porque – vale salientar – o divórcio é extremamente injusto para com as mulheres. Afinal, após vinte anos de casados, quem tem mais chance de conseguir “construir uma nova família” pós-divórcio, o homem ou a mulher perto da menopausa?

É sobre a família que tudo deve estar construído. E o vídeo acima mostra como os valores se foram perdendo com o passar do tempo – como a terra que cai pelo caminho conforme é passada de geração em geração -, e urge recuperá-los. Como a mulher que só quer “curtir” a sua juventude, de parceiro em parceiro, abortando quando necessário. Mas, de vez em quando, ela acorda chorando, porque percebe haver alguma coisa dentro dela a lhe dizer que esta vida não tem futuro. Esta mulher é bem representativa das mulheres que encontramos na nossa sociedade, hoje em dia. Estão enganadas, mas podem ser recuperadas. Porque, no fundo, no fundo, esta mulher do vídeo – como toda mulher! – sonha com uma mesa cheia de crianças.

p.s.: a virtual totalidade das idéias acima expostas são devidas a Valter Romeiro, o meu amigo economista citado, a quem não posso deixar de agradecer.

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O sr. Sizenando postou um comentário na página sobre o Vaticano II. Como foi avisado, gostaria de pedir encarecidamente para que não postassem lá, porque isso vai dificultar o desenrolar da conversa entre o sr. Sandro e eu. Comentários lá serão apagados.

O comentário do sr. Sizenando – apagado por mim lá – foi o seguinte:

Caros amigos

desculpe a intrusão
Jorge exclua este comentário se quiser.

Há 43 anos que este tema está em debate
e jamais chegarão a um consenso.

Por exemplo esta pergunta de Sandro.

A Bíblia diz:

Que somos a Imagem e semelhança de Deus.

Deus é LIVRE ! O Homem não é ?

http://www.bibliacatolica.com.br/01/1/1.php
27.    Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.

Gn. 2,17    mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.”

Isto certamente era um limite de nossa liberdade !

Mas Deus apesar de ter aconselhado o homem a não comer desta arvore ele não impediu o homem de comer daquele fruto dito proíbido !
Porque ?
Não seria esta a vontade do Pai ?

http://www.bibliacatolica.com.br/busca/01/1/h%E1+liberdade
(II Coríntios 3,17)
Ora, o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.

O Espírito do Senhor não habita em Teplos feitos por mãos humanas, mas sim em nossos corações.

http://www.bibliacatolica.com.br/busca/01/1/sois+o+templo
(I Coríntios 3,16)
Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?

Se quando fomos batizados recebemos o Espírito Santo, e se quando fomos crismados nos foi confirmado que este Espírito Santo habita em nossos corações, então em nós habita a liberdade doada gratuitamente por Deus.

Isto significa que:  Jesus morreu por amor de todos nós, mas somente aqueles que aceitarem este sacrifício e amá-lo de todo coração seguindo e praticando os seus mandamentos, serão salvos.   Pelo contrário aqueles que regeitarem a luz de Cristo já estão condenados.

http://www.bibliacatolica.com.br/busca/01/1/amaram+mais+as
(São João 3)
18.    Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
19. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.

O Homem é livre, mesmo que seu caminho escolhido seja o do inferno, Jesus não o impedirá assim como não obrigou a Nicodemos e ao jovem rico de seguí-lo, deixou-os ir embora.

Isto não seria liberdade de escolha ?
Isto não seria livre arbítrio ?
Ou você pretende dizer que serei obrigado a entrar no céu contra a minha vontade, logo não preciso me santificar, porque o céu já está garantido ou não seria assim ?

Jesus também disse a seus discípulos:
Acaso vós também quereis ir embora ?
Pois, podem ir, eu não impedirei !

Ir embora para onde ?
Seria para outros Mestres ?
Seria para outros deuses ?
Seria para outras religiões ?
Seria para o Mal ?
Seria para o Mundo ?

Certamente ninguém será obrigado a seguir Jesus ou a doutrina da Santa Igreja Católica, mas certamente quem não seguir irá morrer eternamente, como aquele que comesse o fruto proíbido.

Por outro lado a Bíblia Diz que o anticristo, aquele que é o oposto de cristo irá obrigar a todos os homens a adorá-lo para humilhar o “Verdadeiro Criador”, e quem não adorá-lo será morto para servir de exemplo aos demais, e será um massacre dos verdadeiros filhos de Deus.

Isto sim é falta de liberdade, aliás isto já acontece com as pessoas dominadas pelo mal “Possuidos pelo mal”,

(São Mateus 8,32)
Ide, disse-lhes. Eles saíram e entraram nos porcos. Nesse instante toda a manada se precipitou pelo declive escarpado para o lago, e morreu nas águas.

Os demonios matam as pessoas assim como mataram estes porcos, porque as usam como corpos descartáveis apenas como recipientes ocos e vazios sem o menor valor.
O Maior desejo de um endemoniado é se matar, de preferência enforcado.

Nosso Deus é um Deus de Amor e quem ama não prende.
Não tira a liberdade, e Deus nos quer Livres e não escravos.

Se o homem escrever qualquer texto que contrarie esta verdade estará a serviço de seu mestre, aquele que só sabe escravizar e tirar a liberdade, substituíndo no máximo, como prémio o vício mórbido da dependência.

Dom Marcel Lefebvre fez uma escolha clássica, preferiu morrer excomungado garantindo o Futuro de sua filha a FSSPX do que pedir perdão ao Papa e retornar à casa do Pai.

Mesmo assim usou do seu mais precioso direito e Don de Deus  “A Liberdade”, que nem mesmo o Papa lhe privou dela, como no passado a “*(Santa)*” Inquisição costumava fazer com os desobedientes, acusá-los de heresia e queimá-los na fogueira da “Famosa Igreja pecadora do passado”, já que a Igreja não peca e é perfeita e o Papa é infalível e não erra, saberemos quem era o pecador desta história de trevas quando estivermos no grande julgamento universal e a luz divina iluminar todas as trevas.

Quanto a mim, jamais atirarei uma pedra sequer, seja na Igreja, no Papa, nos Lefevristas, nem mesmo na Cruz de Cristo.  Porque eu sou um pecador, e como pecador me coloco ao lado de Jesus na Cruz lhe pedindo pelo menos uma lembrança apenas.
Pelo que vejo os maiores defensores desta Igreja Santa, são os que mais pecam contra esta santidade, porque acusam o homem mais Santo do mundo de ser o maior Herege do mundo.

Pai perdoa.

Jesus autem dicebat Pater dimitte illis non enim sciunt quid faciunt dividentes vero vestimenta ejus miserunt sortes.

Só não vé esta verdade quem não quer, logo você pode ver que debater é inútil, principalmente se tratando de sedevacantismo.

Vaticano II apenas reafirmou o que Genesis já havia dito, poderia dizer mais, prefiro citar.

http://www.bibliacatolica.com.br/busca/01/3/liberdade
http://www.bibliacatolica.com.br/busca/01/1/livres

Fiquem com Deus.

Estimado sr. Sizenando, o senhor tem o nome do meu avô paterno, que eu não conheci. É-me uma honra conhecer alguém que tem o mesmo nome de um parente próximo. Agradeço a intervenção do senhor, bastante oportuna, na qual não obstante eu precisaria fazer alguns apontamentos, principalmente de cunho histórico. Talvez eu poste algo sobre a Santa Inquisição aqui, em breve. Por enquanto, basta dizer que o tom do comentário do senhor neste ponto é inadequado e injusto para com um acontecimento histórico importante como a Inquisição Romana.

Sobre a pergunta do sr. Sandro, ela é um pouco mais específica, porque se refere ao ensinamento da Igreja sobre temas filosóficos como “a liberdade” e a questão da supressão de alguns “direitos” quando um bem maior passa a ser ameaçado. Pretendo escrever a minha primeira resposta a ele no Domingo, no mais tardar segunda-feira, e então vou detalhar melhor isto que estou falando aqui.

Fique com Deus,
abraços, em Cristo,
Jorge Ferraz

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Perto de completar um ano de vigoramento, o Motu Proprio Summorum Pontificum vai ser objeto de um documento-instrução da Comissão Ecclesia Dei. A notícia publicada no Portal Petrus é animadora: fala de “muitos bispos e padres desobedientes” e de uma “nota esclarecedora sobre o motu proprio do Papa” que está sendo preparada.

Quem confirmou foi o Mons. Perl, secretário da citada Comissão Pontifícia:

E’ vero, stiamo redigendo un documento-istruzione sulla giusta interpretazione del Motu Proprio ‘Summorum Pontificum’ che ha liberalizzato la Messa secondo i libri liturgici di San Pio V cosi’ come modificati dal Beato Giovanni XXIII.
[É verdade, estamos redigindo um documento-instrução sobre a justa interpretação do Motu Proprio ‘Summorum Pontificum’, que liberou a Missa segundo os livros litúrgicos de São Pio V, tal como modificados pelo Beato João XXIII]

Sobre as causas do motu proprio ter sido mal recebido, afirma o secretário:

Oggi, in tutti i campi della società, si è perso il senso dell’obbedienza e del rispetto dell’autorità.
[Hoje, em todos os campos da sociedade, foi perdido o sentido de obediência e de respeito à autoridade]

Sobre o Missal Tridentino e o Vaticano II:

Assolutamente no, il Concilio Vaticano II non ha mai cancellato il messale anteriore. Ritengo che il Papa Benedetto XVI abbia fatto bene a liberalizzarlo, valorizzando così un patrimonio e un gioiello della Chiesa. Non voglio fare una comparazione tra la Messa di Papa Paolo VI e quella anteriore, non sarebbe giusto.
[Absolutamente não, o Concílio Vaticano II nunca cancelou o missal anterior. Acredito que o Papa Bento XVI fez bem em liberá-lo, valorizando assim um patrimônio e uma jóia da Igreja. Não quero fazer uma comparação entra a missa de Paulo VI e a anterior, não seria justo]

Sobre os abusos litúrgicos:

E nessuno riesce ad eliminarli, proprio perchè, come le ho detto, non esiste il senso del rispetto dell’autorità. (…) Si è pensato che il nuovo fosse migliore, che il nuovo sia sempre migliore. Succede così anche nella vita di tutti i giorni, le scarpe nuove vengono considerate meglio di quelle vecchie…
[E ninguém consegue eliminá-los [os abusos], exatamente porque, como eu disse, não existe o sentido de respeito à autoridade. (…) Pensou-se que o novo fosse melhor, que o novo é sempre melhor. Acontece assim também na vida diária, os sapatos novos são considerados melhores do que os velhos…]

E, por último, sobre a FSSPX:

Non sono assolutamente scomunicati coloro i quali assistano ad una Messa della fraternità di San Pio X. La liturgia è valida, anche se loro sono considerati scismatici. Del resto, è valida per i cattolici anche la liturgia degli ortodossi.
[Não estão excomungados, absolutamente, aqueles que assistem a uma Missa celebrada pela Fraternidade São Pio X. A Liturgia é válida, mesmo eles sendo considerados cismáticos. De resto, é válida para os católicos como a liturgia dos ortodoxos]

Todas as traduções são livres.

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[O] IBP foi criado para criticar o Concílio Vaticano II e celebrar exclusivamente a Missa de sempre.

Muitos de nós da Montfort apoiamos o IBP – e continuaremos a apoiá-lo – sempre que ele cumprir as suas finalidades: criticar o Concílio Vaticano II e defender a Missa de sempre com exclusividade e, portanto, recusando os erros da Nova Missa de Paulo VI.

Agora só nos resta rezar pelo IBP, para que seja fiel aos objetivos que lhe foram incumbidos pelo Vaticano: criticar o Concílio Vaticano II e rezar exclusivamente a Missa de sempre.

Todas as citações acima são do sr. Alberto Zucchi, e foram publicadas hoje no site da MONTFORT. Três vezes ele repetiu que os objetivos do IBP são (i) criticar o Vaticano II e (ii) recusar a “Missa Nova”. É passada, muito claramente, a idéia de que a razão de ser do IBP são estes dois objetivos, e que este é o “carisma” do instituto, é a nota essencial que faz com que ele seja o que é. Fica a impressão de que o IBP existe única e exclusivamente para criticar o Vaticano II e rejeitar a Missa Nova.

Pois bem; tal informação não existe no site do vaticano, não existe no Decreto de Ereção do IBP, não existe em lugar nenhum! Peço encarecidamente, a quem informar possa [óbvio, por meio de fontes oficiais] quanto segue, que se digne fazê-lo:

Primum: se o reconhecimento do rito próprio do IBP como sendo o Rito Romano em sua forma tradicional implica em um direito ou dever de se rejeitar por princípio o Novus Ordo Missae como herético, ilícito, inválido, mau em si, impiedoso, que contém erros, ou coisa parecida;

Secundum: se a tal “crítica construtiva ao Vaticano II” inclui o direito ou dever de afirmar que há heresias nos documentos conciliares tal e qual foram aprovados;

Tertium: se estas são as únicas coisas para as quais foi erigido o IBP.

Já basta de tanta confusão.

A propósito, se alguém tiver acesso aos Estatutos do IBP (em qualquer idioma – a gente dá um jeito de traduzir), seria excelente e encerraria de vez esta confusão toda.

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