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Posts Tagged ‘teologia da libertação’

[Publico artigo do pe. Nilo, da série “como esvaziar o Evangelho da sua substância espiritual”, publicado no Semanário Litúrgico Catequético O Domingo, Ano LXXVII, Remessa IV, 15-3-2009, nº 13. Entre colchetes, os comentários são meus.]

JESUS EM DEFESA DOS POBRES

O Jesus do evangelho [sim, com minúsculas mesmo] de hoje não tem muito que ver com a imagem que muitas vezes fazemos dele: mansinho e bonzinho [de fato, o Jesus “ursinho carinhoso” no qual muitas pessoas acreditam é realmente um erro; no entanto, praticamente cessam aqui os pontos positivos que podem ser encontrados neste exemplar do Semanário Catequético da Paulus…]. Neste evangelho, demonstra inconformismo e reage contra todo tipo de exploração [!!!] – sobretudo aquela praticada pelos vendedores de pombas em prejuízo dos pobres [meu Deus!! De acordo com o pe. Nilo, então, o que provocou a justa indignação de Nosso Senhor não foi a desvirtuação do Templo Sagrado (transformado em local de comércio, ao invés de local de oração), e sim a exploração dos pobres!]. Com efeito, estes, por não terem condições de comprar um boi ou uma ovelha, deviam comprar um par de pombas ou rolinhas para com elas satisfazer sua oferta [e qual o problema com isso, se é a própria Lei de Deus a prescrever a possibilidade do oferecimento de duas rolinhas caso não se possa obter “uma ovelha ou uma cabra” (cf. Lv 5)? Por que o pe. Nilo abomina a existência mesma daquilo que as Escrituras Sagradas prescrevem?] – assim como aconteceu com a família de Jesus quando ele [de novo, com minúsculas] foi apresentado no templo (Lc 2, 24) [sim, em perfeita observância à Lei Judaica – veja-se o capítulo 12 de Levítico; de novo, qual o problema com a apresentação dos dois pombinhos? Qual o problema com os pobres? A ira do pe. Nilo deveria ser dirigida não contra os vendedores de pombas (que também aos pobres possibilitavam o cumprimento da Lei), mas contra as próprias Escrituras Sagradas que prescreviam o sacrifício de quem não tinha posses…].

Deus não suporta ver seu povo sendo explorado [note-se que, para o pe. Nilo, no caso em pauta, não é mais “o zelo da tua casa me consome” (cf. Jo 2, 17), e sim a “exploração” do povo – aliás, exploração cuja existência o texto do Evangelho nem de longe insinua – o que motiva a ira de Nosso Senhor!]. No segundo livro da Bíblia, lemos: “Deus disse: ‘Eu vi a miséria do meu povo [a Vulgata diz “adflictionem populi mei”…] que está no Egito. Ouvi seu grito por causa dos seus opressores. Por isso, desci a fim de libertá-lo das mãos dos egípcios e para fazê-lo subir desta terra para uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel” (Ex 3, 7-8). Deus vê a miséria do povo, ouve seu grito de dor e desce para libertá-lo [fazer acreditar que o problema dos judeus no Egito era a “miséria” e a pobreza é uma empulhação exegética grosseira – no deserto, após saírem da escravidão, houve judeus que reclamaram com saudades do Egito, dizendo que se lembravam “dos peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos, os melões, os alhos bravos, as cebolas e os alhos” (Nm 11, 5)!].

A exemplo do Pai e como seu [mais uma vez, as minúsculas são da lavra do reverendíssimo sacerdote…] fiel seguidor, Jesus não se cala diante da exploração do seu povo [ah! E eu que sempre achei que Ele não tivesse se calado diante da desvirtuação do sentido do Templo!] e reage indignado contra os que querem levar vantagem sobre o pobre [e eu que sempre achei que Nosso Senhor havia reagido – como diz o Evangelho – contra os que faziam “da casa de meu Pai uma casa de negociante”…]. A Igreja, fiel a Jesus e a exemplo dele, não pode ficar indiferente ao sofrimento do povo [acho que o pe. Nilo quer empurrar a sua exegese TL por força da repetição – Jesus não Se indignou, no caso em pauta, por causa do “sofrimento do povo”, e sim porque o Templo Sagrado estava sendo transformado em uma “casa de negociante”, como diz o Evangelho!]. E é por isso que, na América Latina [epa! Não foi a Igreja, Universal, e sim a Igreja “na América Latina”! Conclusão imediata: já que a Igreja “na América Latina” fez isso para ser “fiel a Jesus e a exemplo dele”, segue-se que a Igreja Universal não é fiel a Nosso Senhor!], fez a opção pelos pobres. Isso significa não aceitar que sejam explorados [mentira: isso significa fomentar a luta de classes e pregar o marxismo] e desejar que melhorem de vida em todos os sentidos [à exceção do espiritual, já que a religião é o ópio do povo…].

O Documento de Aparecida foi feliz ao retomar Medellín e Puebla e reafirmar a opção em favor dos pobres [aqui, pronto: foi-se embora de vez o comentário sobre o Evangelho, que começou sendo distorcido e, agora, é simplesmente posto de lado para a propaganda comunista descarada]. Mas esse documento também nos alerta: “Nossa opção pelos pobres corre o risco de ficar em plano teórico ou meramente emotivo, sem verdadeira incidência em nossos comportamentos e em nossas decisões. É necessária uma atitude permanente que se manifeste em opções e gestos concretos e evite toda atitude paternalista. Solicita-se dedicarmos tempo aos pobres, prestar a eles amável atenção, escutá-los com interesse, acompanhá-los nos momentos difíceis, (…) procurando, a partir deles, a transformação de sua situação” (n. 397) [arrematando a “catequese” com uma citação descontextualizada, que nada tem a ver com o Evangelho comentado e que é torcida para servir de propaganda comunista disfarçada de doutrina católica. Maravilha…].

Pe. Nilo Luza, ssp

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É com enorme alegria que eu reproduzo o artigo seguinte de Dom Alano Pena, Arcebispo de Niterói, sobre a celebração católica apostólica romana – não TL – do Dia Nacional da Juventude. Referindo-se ao evento que aconteceu em Cabo Frio, Sua Excelência conta-nos coisas excelentes que aconteceram no domingo 19 de outubro.

Destaco as seguintes palavras de Dom Alano, que são um verdadeiro golpe dirigido aos sequazes da Teologia da Libertação que tanto mal causou à Igreja no Brasil (grifos meus):

Superados os limites estreitos de uma pastoral ideologizada, reducionista, alheia aos valores básicos da vida cristã, é hora de saber ver nas atitudes de nossa juventude a ânsia de Deus, a ânsia de uma autêntica espiritualidade, e sua grande frustração, quando lhe são propostas pequenos caminhos pastorais que se perdem pelos labirintos das ideologias politizantes.

[…]

Os desafios enormes gerados pelas idéias pagãs, materialistas, vazias de Deus, para explicar o mundo e o Homem, não nos permitem cruzar os braços e muito menos acomodarmo-nos na repetição de chavões, de “palavras-de-ordem”, aliás muito sem “ordem” que no passado tentaram confinar a PJ nos redutos de ações assim ditas “transformadoras” e que acabaram num trágico vazio!

Louvado seja Deus, por Se dignar conceder-nos santos pastores! Rezemos pelos nossos bispos. São Domingos deve estar orgulhoso do seu discípulo!

Abaixo, o artigo na íntegra.

* * *

Fonte: Arquidiocese de Niterói

Novembro de 2008

Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Ainda ecoam em nossos ouvidos as vibrantes aclamações de fé jorradas do coração, da alma, dos quase 4000 jovens que, provindos dos sete Vicariatos de nossa Arquidiocese, congregaram-se alegremente em Cabo Frio, no passado dia 19 de outubro, para celebrar o Dia Nacional da Juventude – DNJ 2008.

Apesar da chuva, foi um dia de intensa vivência da Fé católica e de convivência fraterna. Sob a coordenação do Pe. Vidal, responsável pelo setor juventude em nossa Arquidiocese, nossos jovens “abriram a alma” diante do Senhor, para louvá-lO, adorá-lO, celebrá-lO como Luz, Vida e Esperança, numa impressionante demonstração de sua “sede de Deus”. Vários sacerdotes estiveram à disposição de nossos jovens para as confissões, que foram numerosíssimas e eu mesmo participei deste serviço sacramental, atendendo várias confissões.

Segundo o depoimento de vários padres, atenderam jovens que há vários anos não se confessavam e se sentiram tocados, pela graça de Deus, especialmente no momento da Adoração ao Santíssimo Sacramento, que foi iluminadamente conduzido pelo jovem Pe. Demétrio, com a participação musical de nossos seminaristas.

Contemplando aquele ambiente de tão profunda espiritualidade em que nossos jovens alternavam momentos de silêncio, de oração, com momentos de aplausos e de vivas aclamações, bem no estilo jovem, tive a nítida impressão de ver ali realizado, pela ação do Espírito Santo, o “encontro pessoal” de cada um com a Pessoa Divina de Jesus Cristo, tal como nos encoraja o Documento de Aparecida: “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida, e com isso, uma orientação decisiva!” (Doc, Ap. nº 12)

A celebração do DNJ em nossa Arquidiocese propiciou, sem sombra de dúvida,a muitos jovens este encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo!

Abre-se para nossa juventude um novo caminho de evangelização, que lança raízes profundas numa espiritualidade eucarística, num atitude interior de adoração e escuta d’Aquele que unicamente pode nos dar a todos, jovens e adultos as reais razões para viver neste mundo.

Abre-se para nossa juventude o caminho de redescoberta dos verdadeiros valores da fé que permitem colocar os pés no chão da realidade para transforma-la com a força da verdadeira Fé, da Caridade efetivamente solidária e da Esperança que não decepciona “porque o Amar de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado!” (Rom.5,5)

Superados os limites estreitos de uma pastoral ideologizada, reducionista, alheia aos valores básicos da vida cristã, é hora de saber ver nas atitudes de nossa juventude a ânsia de Deus, a ânsia de uma autêntica espiritualidade, e sua grande frustração, quando lhe são propostas pequenos caminhos pastorais que se perdem pelos labirintos das ideologias politizantes.

Nossa ação pastoral no meio da juventude tem que ter o selo inconfundível do Espírito Santo presente em propostas que tragam a força da Sã Doutrina, aquela que pode levar nossos jovens à experiência da empolgante libertação em Cristo, nossa Vida!

Os desafios enormes gerados pelas idéias pagãs, materialistas, vazias de Deus, para explicar o mundo e o Homem, não nos permitem cruzar os braços e muito menos acomodarmo-nos na repetição de chavões, de “palavras-de-ordem”, aliás muito sem “ordem” que no passado tentaram confinar a PJ nos redutos de ações assim ditas “transformadoras” e que acabaram num trágico vazio!

O Senhor nos envia a propor aos jovens a radicalidade de uma vida santa, casta, alegre e sadia, que lhes permita descobrir no coração de Cristo os apelos para os verdadeiros compromissos de fraternidade, de justiça-social, de paz e de amor autêntico.

Fazemos nossas as palavras do Documento de Aparecida, que nos encoraja a “propor aos jovens o encontro com Jesus Cristo vivo e seu seguimento na Igreja, à luz do Plano de Deus, que lhe garanta a realização plena de sua dignidade de ser humano, que os estimule a formar sua personalidade e lhes proponha uma opção vocacional específica: o sacerdócio, a vida consagrada ou o matrimônio”. (Doc. Ap. 446,c)

E evidentemente, nesta perspectiva, destaca-se a importância, para nossa juventude, de uma intensa vida eucarística, de uma freqüência ao Sacramento da Reconciliação, bem como a busca de uma “direção espiritual” autêntica.

Todos sentimos, com muita esperança, que as orientações do recém-concluído Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, haverão de propiciar à Pastoral do Setor Jovem, um renovado dinamismo no seguimento de Jesus Cristo, Palavra viva de Deus entre nós!

+ D. Fr. Alano Maria Pena OP

Arcebispo Metropolitano de Niterói

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O Estado, por exemplo, passa a assumir serviços que, anteriormente, eram realizados somente pela inspiração da caridade cristã [José Luiz Delgado].

Encontrei um texto do professor Luiz Delgado, único colunista digno deste nome que ainda escreve no Jornal do Commercio. Vai em anexo. Fala sobre a verdadeira obra caritativa da Igreja, a verdadeira opção evangélica pelos pobres, a verdadeira obra social que tem verdadeiro valor. Fala sobre “um tempo em que a Igreja, com seu eterno senso do social e do fraterno, antecipava-se ao Estado para a criação de escolas populares”. Hoje, fala-se muito em “educação” como uma condição fundamental para o desenvolvimento do país; sem dúvidas, não é nenhuma novidade, pois a Igreja sempre deu valor à educação. Fundou escolas paroquiais, fundou as Universidades na Idade Média, fundou inúmeras escolas dirigidas pelos membros de Suas ordens religiosas ao longo dos séculos.

O problema, hoje, é que a educação é deixada nas mãos do Estado. Transforma-se em instrumento de doutrinação ideológica. Não é mais obra de caridade que a Igreja toma para Si, e sim interesse estatal em formar os seus cidadãos desta ou daquela maneira. Não é mais serviço desinteressado, realizado sem retribuições, por pessoas que se entregaram completamente a Deus, e sim trabalho remunerado, sujeito às leis econômicas do mercado. Ora, se o Estado tem obrigação de fornecer educação para os seus súditos, então para quê as ordens religiosas vão perder tempo erigindo escolas?

O problema atual não é que o Estado não oferece educação, é precisamente o contrário: o Estado oferece educação e não deixa os demais (p.ex., a família; p.ex., a Igreja) fazerem aquilo que sempre fizeram ao longo dos séculos. O problema para a crise educacional não será jamais resolvido pelo Estado, e até mesmo supôr isto é já uma demonstração de que não se entende a natureza do problema. É necessário voltar à caridade cristã, aos exemplos das freiras de Recife e da “Casa do Pobre”; exemplos dos quais a desgraçada Teologia da Libertação, com o seu discurso comunista, só é capaz de produzir caricaturas.

* * *

Anexo: Jornal do Commercio de 28/10/2008

A freira e seu mundo
Publicado em 28.10.2008

José Luiz Delgado
jlmdelgado@terra.com.br

A rua fazia parte do caminho das maxambombas para Olinda. Quando fizeram a estrada nova, na frente, reta, vindo de Santo Amaro, e não mais da Encruzilhada, a rua ficou um tanto à margem. E mais à margem ainda ficaria quando construíram, do outro lado, atrás, a continuação do complexo Salgadinho, no rumo de Paulista. Entre uma e outra, entre as vias modernas, aquele arruado ficou como perdido fora do tempo e do espaço.

Nele, naquele pequeno mundo, o Padre Sidrônio Wanderley (sobre quem o padre José Aragão publicou expressivo depoimento) plantou importante obra social – uma escola para meninos de famílias de baixa renda, a “Casa do Pobre”, cujo sentido já estava no próprio nome. Depois, ao lado, edificou uma capela simpática e de singelo bom gosto. Era outro tempo – um tempo em que a Igreja, com seu eterno senso do social e do fraterno, antecipava-se ao Estado para a criação de escolas populares. Assim como o padre Airton Guedes fazia em Peixinhos, com a Escola Dom Bosco, e tantos outros, em variados arrabaldes.

Na obra da Casa do Pobre, o cônego Sidrônio contou com a ajuda da irmã freira, que conseguiu encaminhar algumas religiosas para se instalarem permanentemente na instituição. Várias delas vinham e se iam. Duas vieram e ficaram definitivamente. Nas minhas mais remotas lembranças da infância lá estão sempre aquelas duas – madre Redentor e irmã Filomena. Além de dirigir a “Casa”, a primeira se dedicava também aos filhos das famílias de classe média, ensinando-lhes (era outro tempo…) datilografia. A segunda gostava de artesanato, sobretudo de frutas de cera, que ensinava aos meninos e vendia em quermesses de fim de ano.

O arruado de famílias antigas, tradicionais, com um grande descampado no meio das casas e uma pequena lagoa atrás, ficou marcado pela presença daquelas religiosas. A madre Redentor faleceu há 6 anos. A irmã Filomena se foi agora, no último dia 6 – com seu sorriso permanente, sua doçura, sua suavidade, seu jeito sempre discreto e modesto. Poucos saberiam das dificuldades financeiras em que a instituição e as freiras sempre se debateram. Viviam um real voto de pobreza e de obediência. Não a pobreza literária, fácil, de pura retórica. A lição silenciosa e profunda do cônego Sidrônio, tão bem salientada no opúsculo do padre Aragão, perpetuava-se na dedicação das duas freiras. Na vida humilde que levaram, são exemplos de milhares de outras moças que renunciaram ao mundo e se consagraram à vida religiosa, vida ao mesmo tempo de oração e de intenso serviço aos pobres. Foram integralmente fiéis, não se seduzindo pelas atrações da moda, nem se perturbando com as defecções e as levianas infidelidades em torno. Mesmo quando o padre Sidrônio morreu, elas continuaram na instituição, mantendo a sua obra, sob a orientação dos novos diretores que os Arcebispos dom Helder e dom Cardoso nomearam.

Era um outro mundo e um outro tempo. As obras humanas têm muitas vezes existência igual à dos homens, raramente sobrevivem aos seus criadores. Dói, tantas vezes, vê-las decair, assim como dói a partida definitiva de um amigo. Mas não é importante que as obras fiquem como tais, para sempre. As coisas mudam, o tempo e o mundo se modificam, instituem-se novas práticas e novos valores. O Estado, por exemplo, passa a assumir serviços que, anteriormente, eram realizados somente pela inspiração da caridade cristã. Importante é que cada pessoa responda aos problemas do seu tempo e do seu meio da melhor forma que puder. Fecunde o mundo em que lhe foi dado viver. Corresponda às angústias e aos clamores dos anos que passar na terra. E foi isso mesmo que aquelas duas freiras fizeram – integralmente dedicadas a Deus, à Igreja, aos pobres, segundo a lição admirável do cônego Sidrônio.

A mínima justiça que se poderia fazer a elas, sinal da gratidão de toda a comunidade daquele modesto arruado, seria simplesmente dar à praça, que a prefeitura há pouco construiu no meio, acabando com o lamaçal que ali havia, o nome de irmã Filomena.

» José Luiz Delgado é professor universitário

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Comentei aqui no início da tarde, furioso, sobre uma notícia segundo a qual alguns padres estavam preparando uma carta para tentar convencer os católicos a apoiarem a Marta Suplicy, em São Paulo. No entanto, no orkut, acabei de tomar conhecimento de uma resposta da Arquidiocese, a um email enviado por alguém, nos seguintes termos:

A resposta da arquidiocese
Prezada,
Em relação ao seu e-mail, esclareço que tão logo soubemos da notícia pelos jornais começamos imediatamente um grnde esforço para desmenti-la. A notícia veiculada pelos jornais e internet é mentirosa e não tem o menor fundamento. Deixamos claro para todos que a Igreja não apóia nenhum candidato e nem fará carta ou manifestação em favor de canditados. Quero pedir encarecidamente, principalmente aos cristãos-católicos que amam e zelam pela sua Igreja, que não acreditem e nem distribuam mensagens, principalmente e-mails, sem antes comprovar a autenticidade dos mesmos. Qualquer procunciamento oficial da Igreja de São Paulo terá sua origem nos seus meios (Nota Oficial do Cardeal, Jornal O São Paulo, Rádio 9 de Julho, site oficial da arquidiocese: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br)somente assim poderemos evitar a disseminação de inverdades que só prejudicam a nossa Igreja.

Deus os abençoe sempre.

Arquidiocese de São Paulo
Vicariato da Comunicação / Secretário-Geral

Rezemos para que seja mesmo verdade, e não haja lobos vestidos de padre tramando alguma coisa às escondidas da Arquidiocese.

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7 –  Pensar no que se crê…

Um belo título seria este para um artigo católico, sobre um assunto tão necessário hoje em dia: a Fé enquanto atitude intelectual. Poder-se-ia falar tanta coisa! Desde Santo Agostinho, com o seu fides si non cogitatur nulla est e o seu intellige ut credas, crede ut intelligas; passando por Santo Tomás de Aquino e toda a Escolástica Medieval; chegando até o Concílio Vaticano I e os cânones sobre a relação entre a Fé e a Razão; citando a excelente Fides et Ratio de João Paulo II! Este tema é tão vasto e interessante que seria mais do que suficiente para se fazer um artigo primoroso. Todavia, quem escreve sob este título no especial do JC é… a Ivone Gebara!

Esta senhora é aquela que escreve artigos para as Católicas pelo Direito de Matar (aquien passant, notem o banner nojento em apoio descarado ao homossexualismo que se encontra no site dessas fulanas!) defendendo o aborto. Por que não provoca surpresa que ela tenha sido convidada pelo Jornal do Commercio para escrever um artigo contra o Arcebispo?

Devido às suas posições que contradizem frontalmente a Doutrina da Igreja, esta senhora não se pode pretender católica; apresenta-se todavia como teóloga (teóloga feminista, seja lá o que signifique isso, como ela se auto-define no texto) e pretende fazer uma análise sobre o legado de Dom José Cardoso. O blá-blá-blá é absolutamente intragável para qualquer pessoa que tenha um mínimo de capacidade crítica que seja.

Ela diz que viveu durante os últimos 23 anos fora das atividades oficiais da arquidiocese (por que será?), que participou de lutas que não entravam nos espaços oficiais da Igreja, que se abriu para além dos muros e das preocupações da instituição (para longe, bem longe da Igreja…), que se debruçou sobre outras maneiras de entender a tradição cristã… enfim, resumindo a tagarelice enfadonha, ela se declara herege. Reconhece ainda assim – e isso é precioso – que Dom José foi um Arcebispo fiel à Igreja, pois escreve:

O arcebispo de Olinda e Recife foi um instrumento, entre outros, da crença na restauração da Igreja através da disciplina e do Direito Canônico. Essa foi uma das tendências que se expandiu no pontificado de João Paulo II e tornou-se para muitos uma nova cruzada cristã. Nesse sentido, dom José foi um fiel servidor das orientações papais e das orientações das instâncias romanas de governo da Igreja.

Todavia, tem uma visão completamente marxista da sociedade. Os padres chegam a ser grandes capitalistas (…), que dão as diretivas para o funcionamento político do cristianismo no mundo! Com tamanha miopia religiosa, que espécie de análise esta mulher poderia fazer? Todo o artigo é o mesmo besteirol de sempre, de uma superficialidade infantil: por um lado, destila rebeldia contra o Papa ([n]ão podemos mais acreditar que o destino de uma comunidade está nas mãos de um só homem como se fôssemos todos crianças dependentes de sua orientação e pensamento) e, por outro, conclama as pessoas à “Revolução” (convido os leitores a descobrir as boas novas que estão hoje no meio de nós, (…) [que] deram um outro rumo à vida, um rumo que foi capaz de reavivar esperanças e renovar a força libertária de muitos). Não tenho mais paciência para escrever contra esse tipo de coisa (e, aliás, acho que tampouco ninguém tem paciência para ler). Este artigo entra no conjunto daqueles que servem como elogios “pelo caminho contrário”. Para terminar, somente destaco um ato falho cometido pelo jornal:

Mas o arcebispo não estava só nas posições que tomou, por exemplo, contra o aborto, a distribuição de preservativos, as atividades políticas de alguns sacerdotes ou as posições críticas de leigos. Foi respaldado por um bom número de adeptos locais e, sobretudo, pelas instâncias do poder romano.
[grifos meus]

Talvez por falta de revisão, aquilo que é evidente “escapuliu” e entrou na reportagem: Dom José Cardoso – ao contrário do que o caderno especial do JC inteiro dá a entender – nunca esteve sozinho nesses 23 anos em que governou a nossa Arquidiocese, e quem o diz não é um carola amigo do bispo, mas sim uma senhora que lhe é contrária. Ao longo das tribulações, Sua Excelência sempre contou com o apoio do povo fiel, do povo que não é modernista nem TLista, do povo que é católico simplesmente, e que enxerga no seu Arcebispo um sucessor dos Apóstolos, enviado por Deus para o conduzir, aqui na terra, pelos caminhos estreitos e difíceis da vida cristã; caminhos abertos pelo Crucificado, e que – se forem seguidos com sinceridade – conduzem, no final, à Vida Verdadeira e à Glória que não tem fim. São estas as coisas com as quais o povo realmente se importa; o resto, são preocupações vazias de gente desocupada que não tem mais o que fazer.

* * *

Anexo – .O adeus do arcebispo

ARTIGO
Pensar no que se crê…
Publicado em 04.07.2008

[A]ceitei, não sem hesitação, escrever algumas linhas sobre o legado de dom José Cardoso depois de 23 anos de arcebispado. Confesso que vivi todo esse tempo, por opção própria, fora das atividades oficiais da arquidiocese. Abracei causas que não cabiam nas preocupações de sua missão em Olinda e Recife, embora estivessem no dia-a-dia da vida do povo. Como filósofa e teóloga feminista, participei de lutas que não entravam nos espaços oficiais da Igreja. Abri-me para outros desafios, para além dos muros e das preocupações da instituição. Discordei de posições oficiais e me debrucei sobre outras maneiras de entender a tradição cristã. Creio que esse caminho foi trilhado também por outras pessoas e grupos que não se sentiam “em casa” na arquidiocese, pois haviam descoberto em suas vidas referências diferentes das existentes na instituição religiosa. Estou convencida de que essa situação não está necessariamente ligada à pessoa do arcebispo, mas à acelerada mutação do mundo em que vivemos. O cristianismo se tornou mais plural do que sempre foi e a competição entre as várias interpretações e denominações do legado de Jesus estão na ordem do dia dos mercados religiosos. Os sacerdotes hoje não são apenas os jovens que continuam sendo ordenados pelas dioceses, mas os grandes capitalistas ditos cristãos, que dão as diretivas para o funcionamento político do cristianismo no mundo. O arcebispo de Olinda e Recife foi um instrumento, entre outros, da crença na restauração da Igreja através da disciplina e do Direito Canônico. Essa foi uma das tendências que se expandiu no pontificado de João Paulo II e tornou-se para muitos uma nova cruzada cristã. Nesse sentido, dom José foi um fiel servidor das orientações papais e das orientações das instâncias romanas de governo da Igreja. Houve uma nítida pretensão de volta à hegemonia do poder católico romano na sociedade, orquestrada pelo Vaticano. Crença talvez ingênua nos países de passada maioria cristã onde o pluralismo religioso cresce a olhos vistos.

Tenho procurado distanciar-me das posturas saudosistas e dos revanchismos. Creio que essas posturas nos impedem de assumir a responsabilidade de não só entendermos o que se passa em nosso mundo, mas de reagirmos com responsabilidade não só diante das políticas do Estado, mas das políticas das Igrejas. Não podemos mais acreditar que o destino de uma comunidade está nas mãos de um só homem como se fôssemos todos crianças dependentes de sua orientação e pensamento. Sem dúvida, não desprezo a capacidade das lideranças, mas não creio que elas tenham o poder de mudar a história à revelia da maioria ou sem a força de uma elite poderosa. A maioria, em nosso caso, estaria ocupada em outras coisas ou desinteressada dos rumos da instituição? Ou estaria habituada a ser conduzida e, por isso, não assumiu a responsabilidade de conduzir-se? De fato, sob a liderança de dom José muitas polêmicas se abriram em relação a assuntos da maior importância social. Mas o arcebispo não estava só nas posições que tomou, por exemplo, contra o aborto, a distribuição de preservativos, as atividades políticas de alguns sacerdotes ou as posições críticas de leigos. Foi respaldado por um bom número de adeptos locais e, sobretudo, pelas instâncias do poder romano. Vivemos essa situação como um conflito político e cultural de grande alcance mundial. O conflito religioso é apenas uma parte desse conflito e nele algumas pessoas “religiosas” aparecem como responsáveis. Na verdade são apenas, em pequeno grau, responsáveis. São parte de um grupo ideológico religioso em conflito com outros grupos. No cristianismo do passado esses conflitos fizeram história e continuam fazendo-a no presente. Dom José faz apenas parte desse conjunto maior de conflitos históricos. Nesses 23 anos muitas coisas novas e desafiantes aconteceram, talvez propulsadas pela postura defensiva e legalista da arquidiocese. Essas coisas novas são, a meu ver, a herança indireta ou o legado de nossas ações coletivas e individuais. Por essa razão, convido os leitores a descobrir as boas novas que estão hoje no meio de nós, para além de nossos desapontamentos. Elas deram um outro rumo à vida, um rumo que foi capaz de reavivar esperanças e renovar a força libertária de muitos. Há tesouros humanos espalhados no meio de nossa cidade. Podemos vê-los, reconhecê-los como serviços ao bem comum e dar graças à vida porque estão vivos no presente, graças ao passado que tivemos.

» Ivone Gebara é filósofa e teóloga

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