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Errata

Um anônimo teve a caridade de fazer-me uma correção no texto “Que há de extraordinário…?” aqui publicado. Trata-se de um erro de tradução: na verdade, “de internis nisi Ecclesia” significa do que é interno, [ninguém] a não ser a Igreja [julga], e não “do que é interno, nem a Igreja julga” como eu coloquei.

Fui induzido ao erro por dois motivos: primeiro, pelo contexto no qual a frase se encontrava no texto do sr. Orlando Fedeli, onde o sentido é claramente aquele que foi colocado por mim no texto aqui publicado. Segundo, porque o próprio Orlando Fedeli traduziu errado em outro lugar do site Montfort (grifos meus):

Não entro no foro das intenções, onde nem mesmo a Igreja entra: “De internis, nisi Ecclesia”.

Na verdade, o ditado correcto é “De internis, nec Ecclesia”, como o próprio professor Fedeli cita correctamente uma vez, e como encontra-se em repositórios de frases latinas na internet. Portanto, a despeito da tradução [de segunda mão] equivocada, é certo que o prof. Fedeli quis escrever “de internis nec Ecclesia”, e não “de internis nisi Ecclesia” como escreveu.

Agradeço, mais uma vez, ao anônimo pela correção.

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De internis,  nisi Ecclesia.
[Orlando Fedeli, in A capela vazia]

As intenções, aquilo que é interno, o que passa no coração dos homens, nem a Igreja julga. É o que diz o conhecido ditado eclesiástico, repetido pelo prof. Fedeli na sua última crônica, último capítulo – espero – sobre a saída do IBP do Brasil.

Impossível não concordar. E impossível não se entristecer com os acontecimentos recentes. Primeiro, um instituto pontifício “polariza-se” no Brasil e, nascido e criado em atmosfera tupiniquim insalubre, tem a sua atuação enviesada por interesses que não estão perfeitamente alinhados com os da Santa Igreja. Depois, ao invés de se ajustarem as velas e prosseguir o caminho correto, a saída… finalmente, ao invés de se procurar tirar da atitude corajosa do IBP um bom ensinamento e um sinal de esperança, a perda de tempo com discussões inúteis sobre pessoas. Não raro, esquecendo-se do de internis.

As pessoas são falhas. Necessariamente falhas. Como perguntava retoricamente São Francisco de Sales, “que há de extraordinário em que a enfermidade seja enferma, e a fraqueza fraca, e a miséria miserável”? Por que, então, deter-se tão demoradamente e com tanto afinco nas desgraças das pessoas?

A situação atual perde-se na polêmica vazia; a última crônica da Montfort [em epígrafe] só vai exaltar os ânimos dos defensores da Associação. E quanto aos problemas reais, os que permanecem? E quanto aos estatutos do IBP, sem os quais é simplesmente impossível acusar de traição ou de interpretação errada qualquer um dos lados? Nem uma palavra…

Uma ave-maria pelo Santo Padre, pela exaltação da Santa Madre Igreja, pela extirpação das heresias; outra ave-maria pelo prof. Orlando, pelo pe. Renato, pelo pe. Navas, pelo pe. Laguerie e por todos os que estão envolvidos diretamente na dolorosa situação; e uma ave-maria por nós todos, é o que peço aos que por aqui passarem.

Ave Maria
Ave Maria
Ave Maria

Nossa Senhora, Refugium Peccatorum,
ora pro nobis!

P.S.: A tradução do latim em epígrafe está errada. Veja por quê.

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Padre Renato Leite, publicado no FRATRES IN UNUM:

A casa do IBP situada no bairro do Ipiranga da qual estive à frente por oito meses, foi instituída com uma finalidade específica: “Preparar os alunos do Professor Orlando para ingressarem no seminário do IBP em Courtalain, França”. E obviamente, essa preparação estaria prioritariamente a cargo do professor Orlando que com os amigos, “pagavam todas as contas da casa”, imaginando ter uma espécie de “direito adquirido” para assim proceder no que dizia respeito à formação dos rapazes.

A casa seria um instrumento para o professor Orlando atingir um dos seus mais ousados objetivos: O ter padres sob o seu comando direto. E, para atingí-lo, seria enviado para Courtalain um número cada vez maior de alunos do professor que, ordenados padres, garantiriam a influência e o controle do Instituto do Bom Pastor pelo professor e seus amigos, recordando que o IBP já nasceu Pontifício ou seja “grande” canonicamente falando, com aprovação direta do Papa e portanto “tentador”.

Gostaria de terminar esses esclarecimentos recordando a todos que toda essa confusão deve ser “creditada” nas contas das vaidades de duas pessoas:

Primeiramente na conta do professor Orlando que vive esquecido de que, não importa o que diga ou faça, continua sempre um leigo não tendo autoridade docente na Igreja para submeter sacerdotes e formar seminaristas como pretendia nessa malfadada empreitada junto ao IBP. Tal tarefa está reservada exclusivamente aos bispos membros da Hierarquia da qual ele não faz parte.

Em segundo lugar na conta do Padre Laguerie Superior Geral do IBP que tem autoridade direta sobre os padres e sobre a formação dos seminaristas e que discordando das idéias do professor “desde sempre”, tinha a obrigação moral de deixar isso claro sem “simular” uma autorização que depois se verificou inexistente e que gerou inúmeros transtornos permitindo que o “oportunismo” prevalecesse sobre a franqueza e a sinceridade.

Lamento tudo isso e rogo a Deus Sua Misericórdia de modo particular para aqueles que defendendo a “Bandeira da Fé Católica” acabam por ter na prática, as mesmas atitudes daqueles que dizem combater.

Tais denúncias deveriam provocar em nós profunda tristeza. Gostaria de pedir a todos quantos aqui passarem que rezassem pelo Santo Padre, rezassem pela Igreja, rezassem pelo IBP, pelo padre Renato e pelo professor Orlando Fedeli. E recordo as belas palavras de Dom Rafael Cifuentes:

Todos temos de enfrentar dificuldades e sofrer decepções, mas estas trazem consigo conseqüências bem diferentes segundo sejam encaradas com espírito negativo e encolhido, envelhecido, ou com esse espírito esportivo de que falamos. Não há dúvida de que, muitas vezes, as nossas atitudes perante os fatos são mais importantes que os mesmos fatos. É o que diz certa frase do escritor católico inglês William Ward: “O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas”.
[Rafael Llano Cifuentes, “Juventude para todas as idades”, Ed. Quadrante, São Paulo, 2008]

Ajustemos as nossas velas. Não desanimemos. Não nos prendamos ao passado. Duc in altum!

P.S.: o Padre Renato escreveu o mesmo testemunho no orkut. E com um acréscimo que vale a pena ser reproduzido:

Aqui não julguei intenções que só de Deus são conhecidas.
Me restringi aos fatos e só a eles porque lá estava quando se deram.

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[O] IBP foi criado para criticar o Concílio Vaticano II e celebrar exclusivamente a Missa de sempre.

Muitos de nós da Montfort apoiamos o IBP – e continuaremos a apoiá-lo – sempre que ele cumprir as suas finalidades: criticar o Concílio Vaticano II e defender a Missa de sempre com exclusividade e, portanto, recusando os erros da Nova Missa de Paulo VI.

Agora só nos resta rezar pelo IBP, para que seja fiel aos objetivos que lhe foram incumbidos pelo Vaticano: criticar o Concílio Vaticano II e rezar exclusivamente a Missa de sempre.

Todas as citações acima são do sr. Alberto Zucchi, e foram publicadas hoje no site da MONTFORT. Três vezes ele repetiu que os objetivos do IBP são (i) criticar o Vaticano II e (ii) recusar a “Missa Nova”. É passada, muito claramente, a idéia de que a razão de ser do IBP são estes dois objetivos, e que este é o “carisma” do instituto, é a nota essencial que faz com que ele seja o que é. Fica a impressão de que o IBP existe única e exclusivamente para criticar o Vaticano II e rejeitar a Missa Nova.

Pois bem; tal informação não existe no site do vaticano, não existe no Decreto de Ereção do IBP, não existe em lugar nenhum! Peço encarecidamente, a quem informar possa [óbvio, por meio de fontes oficiais] quanto segue, que se digne fazê-lo:

Primum: se o reconhecimento do rito próprio do IBP como sendo o Rito Romano em sua forma tradicional implica em um direito ou dever de se rejeitar por princípio o Novus Ordo Missae como herético, ilícito, inválido, mau em si, impiedoso, que contém erros, ou coisa parecida;

Secundum: se a tal “crítica construtiva ao Vaticano II” inclui o direito ou dever de afirmar que há heresias nos documentos conciliares tal e qual foram aprovados;

Tertium: se estas são as únicas coisas para as quais foi erigido o IBP.

Já basta de tanta confusão.

A propósito, se alguém tiver acesso aos Estatutos do IBP (em qualquer idioma – a gente dá um jeito de traduzir), seria excelente e encerraria de vez esta confusão toda.

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Brincando com o google durante o meu horário de almoço, descobri, com surpresa, que um artigo de minha autoria (publicado primeiro aqui no BLOG e, depois, no Veritatis Splendor) fora atacado em um outro BLOG que parece ser dedicado à difamação do Veritatis. O post é do dia 30 de junho; como eu só o vi agora, somente agora vai a resposta.

Primeiro, o texto por mim publicado tem um escopo muito bem definido: contra-argumentar o artigo da MONTFORT sobre Hans Küng e o Vaticano II. Ele não é, e nem pretende ser, por evidentes limitações de espaço, a defesa completa do Concílio Vaticano II contra todas as acusações rad-trads dos últimos quarenta anos. Se, nele, só tem metade do argumento, é porque no artigo original comentado não tem argumento nenhum e qualquer “meio-argumento” basta para o refutar.

Segundo, a acusação do BLOG “Falsitatis Splendor” – de estar faltando a segunda parte do argumento – só procederia se o meu objetivo fosse refutar o Küng. Aí sim, de facto, seria necessário debruçar-me sobre os argumentos do teólogo herege (por mais herege que ele fosse) para fazer o serviço completo e mostrar como ele estava errado em cada um deles. Mas acontece que – como eu disse acima – não estou contra-argumentando Hans Küng, e sim Orlando Fedeli.

Afinal de contas, o que tem no texto da Montfort? Uma acusação – a de que o Vaticano II “conseguiu introduzir e integrar na catolicidade o paradigma da reforma protestante e o paradigma iluminista da modernidade” – e um argumento – Hans Küng disse assim. Oras, qualquer um há de convir que dizer “Küng disse” não é um argumento! Gratis affirmatur, gratis negatur: assim, a simples frase “o Vaticano II não introduziu o paradigma da reforma protestante na catolicidade” já refutaria o palavrório da Montfort no artigo em litígio. Não prova nada, mas a frase de Küng também não prova e, portanto, ficamos empatados.

Terceiro, o que eu escrevi não se resume a negar de maneira gratuita o que disse o Küng e o Fedeli toma como dogma (embora eu pudesse ter feito isso). Fui além disso e propus uma comparação entre o que disseram e dizem dois teólogos participantes do Vaticano II: um deles diz que o Concílio foi herético, o outro diz que foi ortodoxo. A análise de um deles a Montfort subscreve, a do outro eu subscrevo. Um deles é Hans Küng, o outro é Joseph Ratzinger. Um deles é herege, o outro é Papa.

O Papa pensa diferente de Küng, como foi citado, e isso muda a história: afinal, a uma opinião, foi contraposta outra, que – por acaso – é a do Vigário de Cristo. Alguém poderia redargüir que o Papa não é infalível quando emite opiniões sobre o Vaticano II, e isto é verdade, mas tampouco Hans Küng o é. Outrossim, é óbvio para qualquer pessoa que não tenha perdido o sentido de catolicidade que as opiniões do Papa são mais garantidas do que as opiniões dos hereges.

Quarto, há equívocos no texto do BLOG “Falsitatis Splendor”:

Mas precisamos mostrar que a letra é boa, enquanto que a leitura modernista é falsa.

Não, não precisamos, porque o ônus da prova cabe a quem acusa. Faltando – como falta no texto da Montfort – quaisquer argumentos contra a letra do Vaticano II, é evidente que não ficamos nós obrigados a contra-argumentar. Além do quê, há uma enormidade de textos escritos em português mostrando que é boa a letra do Vaticano II (por exemplo, veja-se este dossiê), que eu não preciso ficar reproduzindo aqui no BLOG o tempo inteiro sem que haja argumentos da parte contrária!

Afinal, graças à letra ambígua que surge esse espírito modernista.

Errado, o Modernismo existe desde antes do Vaticano II; afinal, foi condenado por São Pio X no início do século XX. Portanto, a causa do espírito modernista não é a “letra ambígua”.

Resumindo, o cerne da questão é o seguinte: Hans Küng dizer alguma coisa sobre o Vaticano II é, antes, motivo de cautela do que de adesão entusiasmada. Se, além disso, o que ele diz contraria frontalmente o que diz o Papa, então a cautela deveria ceder lugar ao repúdio direto. O fato de alguns darem mais ouvidos aos hereges do que ao Papa é lamentável e preocupante. Quem tem olhos, que veja.

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O Concílio [Vaticano II] conseguiu introduzir e integrar na catolicidade o paradigma da reforma protestante e o paradigma iluminista da modernidade.
(Hans Küng, apud MONTFORT).

Quem é Hans Küng? Um “teólogo”, herege proeminente. Por exemplo, é autor de uma Carta Aberta por ocasião do conclave que elegeu o atual Papa Bento XVI gloriosamente reinante, na qual pede (entre outros disparates), a eleição de um papa que [a grafia está no Português de Portugal, já que os excertos abaixo são retirados ipsis litteris do link acima indicado]:

  • “se coíba de dar veredictos moralizadores sobre problemas complexos como a contracepção, o aborto e a sexualidade”;
  • “permita a ordenação de mulheres que, à luz do Novo Testamento, é urgentemente necessária para a nova situação actual”;
  • “corrija a encíclica proibitiva de Paulo VI, Humanae vitae, sobre a pílula, que afastou inúmeras mulheres católica da sua igreja, e reconheça explicitamente a responsabilidade pessoal dos cônjuges pelo controlo de natalidade e pelo número de filhos que têm””;
  • “reconheça finalmente os ministérios protestante e anglicano, como há muito foi recomendado pelas comissões ecuménicas e como já é prática em muitos lugares”;
  • “não reclame o monopólio da verdade”.

Em resumo: Küng é um herege completo que queria a eleição de um Papa herege como ele. Graças a Deus, João Paulo II foi sucedido pelo grande Bento XVI, e não pelo “papa herege” no qual o “teólogo” suíço pediu que os cardeais votassem.

Qual é o valor, então, que têm as opiniões de um herege manifesto para os católicos? Nenhum, por certo; ou, ao menos, tais opiniões deveriam ser muito bem comparadas com as posições de pessoas de ortodoxia incontestável, antes de serem abraçadas e seguidas. Assim, por exemplo, quando se vê Lutero afirmando ser na Epístola de São Paulo aos romanos que se baseia a sua [de Lutero] doutrina da Sola Fide, ou então quando se vê Calvino dizendo que a mesma Epístola de São Paulo e o livro do Êxodo fornecem a base para se crer que alguns são predestinados por Deus ao Inferno, a reação católica imediata é a de rechaçar os hereges, e não as Escrituras Sagradas. Isso é óbvio.

Todavia, o sr. Orlando Fedeli, no link citado na epígrafe, faz justamente o contrário. O fato de um herege “reconhecer” que o Vaticano II ensinou heresias é a prova incontestável de que assim o foi. O herege torna-se Magistério abalizado para pronunciar as sentenças infalíveis sobre o Vaticano II. O fato de Bento XVI sempre afirmar a ortodoxia do Concílio é irrelevante, diante das sentenças de um teólogo herege. Afinal, se o herege diz que Vaticano II introduziu “o paradigma da Reforma Protestante” na Igreja, ergo o Vaticano II introduziu o paradigma da Reforma Protestante na Igreja de Cristo. Küng locuta, causa finita.

Pergunta, enfim, retoricamente, o professor: “Quando até os hereges enxergam, por que alguns, que se dizem católicos, negam o visível”? Oras, isso é muito fácil de se retorquir; afinal, por que alguns, que se dizem católicos, compartilham as mesmíssimas opiniões dos hereges?

Isso são as conseqüências de não se abraçar firmemente a idéia de que a Igreja não pode subsistir sem o Seu Magistério e que, portanto, se Cristo prometeu que Ela perdurará até o fim dos tempos, então o Magistério da Igreja também perdurará sem interrupções. Chesterton disse, certa vez, que os homens, quando não acreditam mais em Deus, não é que eles passem a não acreditar em nada – ao contrário, eles passam a acreditar em tudo. O mesmo acontece, desgraçadamente, com quem não acredita mais no Magistério da Igreja: passa a acreditar em qualquer coisa, até mesmo em Hans Küng.

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