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Posts Tagged ‘modernismo’

Comento com um pouco de atraso, mas comento: Hans Küng – “um dos teólogos católicos mais importantes da atualidade”, segundo uma notícia publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – saiu nos últimos dias com uma das idéias mais estapafúrdias que eu já vi no clero católico: “se Obama fosse Papa”, artigo publicado na Adital. Como muito acertadamente comentou um amigo meu, é a maior concentração de clichês contra a Igreja por centímetro quadrado de texto que se poderia encontrar.

A Montfort classificou o texto como “o programa de um Papa Anti-Cristo”; não deixa de ter razão, porque o artigo de Küng é tão estranho à Doutrina Católica que provoca náuseas…

Logo no início, a comparação do Papa Bento XVI com George W. Bush é um grande elogio dirigido ao ex-presidente dos Estados Unidos: Tanto Bush quanto Ratzinger não conseguem aprender nada em matérias de controle de natalidade e aborto, não são propensos a implementar quaisquer reformas sérias, são arrogantes e sem transparência na forma como exercem os seus cargos, restringindo liberdades e direitos humanos.

A última parte da frase é calúnia barata – a menos que o pe. Küng entenda que o aborto é uma “liberdade” e um “direito humano”; afinal, a Igreja Católica é a maior – ou melhor, é a Única – defensora integral da liberdade do homem e dos direitos humanos em sua plenitude e no seu verdadeiro sentido. A que liberdade maior do que a dos filhos de Deus os homens podem aspirar? Quais direitos humanos podem ser mais sólidos e verdadeiros do que aqueles alicerçados sobre a dignidade intrínseca do ser humano que – ainda pecador – é criado à imagem e semelhança de Deus? Não dá para entender as acusações baratas do pe. Küng, que são o oposto mesmo da verdade… afinal, são as ideologias “modernas” que são inimigas da liberdade e dos direitos humanos, e a Igreja de Cristo sempre esteve vigilante, intrépida, fazendo oposição a todas elas e proclamando bem alto o fim último ao qual os homens são chamados. Pobres são as ideologias que estão voltadas para esta terra; enquanto isso, a Igreja acena para o Céu.

Sugere o pe. Küng que o Papa deveria convocar “um concílio ecumênico para promover a mudança de rumo”. A idéia traz uma confissão interessante: é eloqüente que, para os modernistas, o Vaticano II não seja suficiente. É revelador que a Igreja “precise” de um Novo Concílio para que execute a Sua “mudança de rumo”; o que nos deixa entrever que, portanto, a mudança de rumo almejada ainda não aconteceu. Na verdade, o pe. Küng apresenta-se como um exemplo vivo daquilo que o Santo Padre já falou no seu discurso à Cúria Romana no natal de 2005:

A hermenêutica da descontinuidade corre o risco de terminar numa ruptura entre a Igreja pré-conciliar e a Igreja pós-conciliar. Ela afirma que os textos do Concílio como tais ainda não seriam a verdadeira expressão do espírito do Concílio.

Seriam o resultado de compromissos em que, para alcançar a unanimidade, foi necessário arrastar atrás de si e confirmar muitas coisas antigas, já inúteis. Contudo, não é nestes compromissos que se revelaria o verdadeiro espírito do Concílio mas, ao contrário, nos impulsos rumo ao novo, subjacentes aos textos: somente eles representariam o verdadeiro espírito do Concílio, e partindo deles e em conformidade com eles, seria necessário progredir.

Diz exatamente isso o teólogo que queria que Obama fosse Papa: é necessário progredir, é necessário convocar um novo concílio. Podemos assim notar como as palavras do Papa à Cúria Romana fulminam precisamente as propostas do teólogo suíço; e é igualmente revelador que, mais de três anos após a condenação de Bento XVI à “hermenêutica da descontinuidade”, Hans Küng venha a público propôr precisamente esta hermenêutica condenada…

O resto do artigo é um monte de blá-blá-blá, mostrando o “contraste deprimente” entre o presidente dos Estados Unidos e o Chefe da Igreja Católica. Na verdade, de todo este palavrório, é possível perceber que Hans Küng odeia a Igreja à qual pertence e para a qual foi ordenado sacerdote: preferiria uma igreja “aberta ao mundo”, uma igreja de “rumos mudados”, uma igreja “democrática”, e uma igreja que, em virtualmente tudo, é o contrário da Igreja fundada por Nosso Senhor. Não entendo como este péssimo teólogo é ainda considerado como referência para alguma coisa e ainda encontra espaço na mídia – ou, na verdade, até entendo: porque Satanás não dorme, e asinus asinum fricat, e os inimigos de Deus estão sempre ávidos por encontrar munição para os seus maus propósitos e a sua guerra contra a Igreja de Jesus Cristo. Mas non praevalebunt; afinal, passarão céus e terra, passarão modernistas e TLs, passarão veículos de mídia irresponsáveis, passarão teólogos suíços hereges, e a Igreja permanecerá tal e qual sempre esteve, qual Esposa Fiel que é, à espera de Nosso Senhor.

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– Frase de Paulo VI, no blog Adversus Haereses: Quem quer que visse no Concílio [Vaticano II] um relaxamento dos compromissos anteriores da Igreja para sua fé, a sua tradição,a sua ascese, a sua caridade, o seu espírito de sacrifício e a sua adesão à palavra e à cruz de Cristo, ou ainda uma indulgente concessão à frágil e versátil mentalidade relativista de um mundo sem princípios e sem fim transcendente, a uma espécie de cristianismo mais cômodo e menos exigente, estaria cometendo um erro. Não sei qual é a referência original da frase; ela, no entanto, mostra exatamente aquilo que eu sempre tenho falado aqui com relação ao Vaticano II: aqueles que o tratam como se fosse uma ruptura com a Fé da Igreja – não importa de que lado estejam, ou o grau de importância na hierarquia eclesiástica que ocupem – simplesmente estão errados. Assim, o Santo Padre Bento XVI – gloriosamente reinante -, com o seu governo da Igreja, não está “traindo” o Vaticano II; ao contrário, o Concílio foi traído ao longo das últimas décadas e o Papa está colocando as coisas nos seus devidos lugares. Rezemos pelo Sucessor de Pedro.

– No site da FSSPX, “O Problema da Reforma Litúrgica”, uma síntese esquemática feita por Dom Williamson do livro de mesmo nome. Tem o seu valor porque a coluna da direita, chamada de “Teologia Nova”, encontra-se realmente disseminada pelo mundo “católico” e é realmente digna de atenção e censura; o problema é que esta “Teologia Nova” não é [obviamente] a teologia da Igreja Católica. Também o Rito de Paulo VI pode e deve ser celebrado com a mentalidade católica e, aliás, celebrá-lo segundo esta “Teologia Nova” é um erro. Diria até, é traí-lo, como – mutatis mutandi – interpretar o Vaticano II de maneira contrária à Fé da Igreja é uma traição ao Concílio.

– No Fratres in Unum: a humilhação do papado de Bento XVI. O Santo Padre enfrenta heroicamente – saibamos disso! – uma enorme resistência para governar a Igreja. Oremus pro Pontifice Nostro Benedicto. “Irmãos, rezemos pelo Papa. Nenhum de nós sabe o que ele deve estar passando. Dom Fellay afirmou outrora que o Papa encontra hoje uma Igreja impossível de se governar. Os reiterados pedidos de oração mostram, caríssimos, o quanto o Papa precisa de nossos clamores aos céus”. E rezemos pela humilhação dos inimigos da Igreja (que, hoje, ostentam báculos, vestem púrpura…), como na Litaniae Sanctorum: ut inimicos Sancte Ecclesiae humiliare digneris, Te rogamus, Domine, audi nos!

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A Montfort publicou uma interessante entrevista concedida pelo pe. Joseph Luzuy, do Instituto Cristo Rei (instituto que, segundo insinua o Fedeli, não poderia contar com o apoio da Montfort porque “aceita a Missa Nova”; o que confere uma certa isenção à entrevista). Destaco alguns aspectos que julguei mais relevantes.

[S]obre a cruz[,] Cristo, morrendo[,] não  foi compreendido. Ele expirou no mistério e não houve necessidade de tradutores ou de divulgadores para explicar aquele mistério. Portanto, se Cristo morto na Cruz é o mistério por excelência, por que razão a Missa deveria ser toda e racionalmente compreensível?

A comparação é primorosa, e confesso ser a primeira vez que a vejo! Se por um lado é verdade que os ritos litúrgicos “devem adaptar-se à capacidade de compreensão dos fiéis” (Sacrossantum Concilium, 34), por outro lado é igualmente verdade que a Paixão de Cristo – tornada presente em cada missa – é um dos principais Mistérios da nossa Fé e, portanto, por definição, transcende a compreensão humana. Esta verdade anda bem esquecida nos nossos dias, e neste sentido o latim ajuda a manter o Santo Sacrifício envolto num saudável véu de mistério, até mesmo por dificultar aos fiéis a compreensão completa e meramente racional de todas e cada uma das partes da Liturgia.

Sempre defendi que existem “graus de ignorância”. Oras, a Santa Missa simplesmente não pode ser compreendida em sua totalidade. Portanto, o latim (não-compreendido) ajuda os fiéis a saberem que não entendem por completo o que está se desenrolando diante dos seus olhos. Eles não sabem e sabem que não sabem. O vernáculo, ao contrário, passa a falsa impressão de que se entende completamente tudo o que está acontecendo, afinal, o significado das palavras é conhecido… portanto, hoje em dia, não é que as pessoas “compreendam mais” a missa por causa do vernáculo, é exatamente o contrário: eles não compreendem e julgam compreender, e isso é muito pior do que o primeiro caso. É uma ignorância muito mais grave.

Creio que esteja se dando, especialmente após o Vaticano II, mas não por culpa dele, um processo de protestantização da cultura religiosa, da liturgia e nos próprios estudiosos.

A acusação é grave, mas respeitosa e digna de atenção. O problema – já infinitas vezes reportado – é a utilização indevida de textos conciliares para que sejam “justificadas” as maiores barbaridades. Creio já ter falado aqui, mas repito: urge resgatar o Concílio da mão dos hereges e colocá-lo de novo a serviço da Igreja de Cristo, para a maior glória de Deus.

Circulam rumores que esteja em estudo uma reforma da liturgia, com a troca da paz antes do Ofertório, a comunhão de joelhos e o canon em latim, o senhor confirma isso?

“Não sei quando isso se dará. Mas eu também ouvi os mesmos rumores e me congratulo com eles. Posso confirmar lhe que essas  indicações estão em vias de serem feitas: nada sei sobre a real atuação e o tempo. Mas o projeto existe.”

Não é a primeira vez que isto é noticiado; permita Deus que o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante, possa ser conservado ainda por muitos anos no trono de Pedro! E, às vésperas do aniversário de um ano da entrada em vigor do motu proprio Summorum Pontificum (próximo domingo, dia 14 de setembro, festa de Exaltação da Santa Cruz), rezemos pelo Papa e pelo triunfo da Santa Igreja:

V. Oremus pro Pontifice nostro Benedictus.
R. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

Pater Noster.
Ave Maria.

Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Benedictus, quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum. Amen.

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