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Posts Tagged ‘flores do cerrado’

– Brasília é uma cidade bonita. Pensei que iria achar a cidade mais feia; no entanto me surpreendi. É uma beleza toda particular, que não sei bem descrever e (infelizmente!) não tenho fotos para pôr aqui, já que o meu telefone descarregou e eu esqueci o carregador em Recife. C’est la viè.

– Sair de Recife para Brasília é uma coisa de outro mundo. Aqui, as pessoas saem à noite, andam a pé, vão até a praça, sobem na tocha, sentam diante dos candangos, param o carro e ligam o som… em uma palavra, aqui não existe (pelo menos não encontrei) o terror de se andar nas ruas que temos na minha terra natal. Isso faz com que sejam possíveis coisas que julguei só encontrar no primeiro mundo (p.ex., na Sacré Coeur): adoração perpétua a nível arquidiocesano. Há uma “escala” de paróquias e movimentos para que se revezem diante do Santíssimo exposto, que está assim permanentemente (manhã, tarde, noite e madrugada). Em Recife só temos adoração perpétua nas casas religiosas (como na Toca de Assis), e uma paróquia aberta vinte e quatro horas é uma idéia completamente inconcebível para um recifense (afinal de contas, de noite ninguém poderia ir até lá). Talvez seja ignorância nordestina minha, mas… isso existe em algum lugar?

– Recebi informações de que a catedral de Brasília, sim, havia sido originalmente projetada para ser um templo ecumênico, mas que depois passou a ser exclusivamente católica. Ela tem coisas interessantes, como as estátuas dos quatro evangelistas na entrada, em duas fileiras uma de frente para a outra, três de um lado (São Mateus, São Marcos e São Lucas) e um do outro lado (São João): são os sinóticos e o Quarto Evangelho. Tem uma bonita réplica da Pietà, e outra do Santo Sudário. A entrada dela é uma escada para baixo, ao invés de para cima (como em todas as igrejas que eu já vi na vida): para chegar até Deus é preciso se humilhar, e descer. A arquitetura é funcional e muitíssimo curiosa: pode-se falar em voz baixa na parede (fiz a experiência) que se escuta em alto e bom som no fim da parede, muitos metros adiante. É assombroso.

– Tem a parte negativa sobre a catedral: ela é, sim, completamente estranha à arte católica; é repleta de vitrais dos quais eu tenho ojeriza (vitrais “de nada” – que só têm riscos e cores); a construção circular faz com que não se olhe imediatamente para o altar (como acontece nas igrejas “normais”, onde a pessoa ao entrar tem a atenção automaticamente voltada para o altar e o presbitério); as paredes “lisas” com poucos quadros e pouquíssimas imagens  (não lembro se tem de santos; tem uns anjos pendurados que são bonitos, mas também são estranhos) não preenchem o espaço e não dão a “cara” de uma igreja católica ao prédio; o negócio de “descer” as escadas (de “se humilhar” para chegar até Deus) me parece afrontar as igrejas que têm escadas para cima (que são todas as outras); por trás do altar, fui informado de que o desenho é um óvulo sim, embora não lembre o motivo; não me falaram do útero, mas eu – assim que pus os olhos – disse que, se aquela “bola” era um óvulo, então aqueles “riscos azuis” embaixo dela eram certamente um útero; nos espermatozóides eu não reparei.

– O clima chega a ser quente como Recife (talvez um pouco menos), mas varia um pouco e, hoje, estava mais frio. O céu é bonito, com “as nuvens baixas” e de um bonito colorido no fim da tarde. Muita sede por causa da secura, e um pouco de cansaço por causa da altitude, mas nada de importante – deu para me adaptar bem.

– A história da cidade é interessante; o projeto (o “início” era simplesmente um sinal da cruz, o cruzamento do “eixão” com o “eixo dos monumentos”, onde hoje fica a rodoviária), a forma escolhida (forma “de avião”, com a Praça dos Três Poderes na “cabine” – são eles que dirigem a cidade), a construção (os “candangos” – que têm um monumento na praça – eram os trabalhadores que vieram de longe, muitos dos quais morreram durante a construção da cidade), a idéia das ruas (“tesouras” – retornos – para eliminar os cruzamentos e, assim, diminuir o número de semáforos), o tamanho das construções (“Por que os prédios não podem ter mais do que seis andares? Porque nenhuma pode ser mais alta do que o prédio do Senado”)… tantas coisas!

– Brasília é “a terra prometida”, já que Dom Bosco sonhou com a cidade (Entre os paralelos de 15º e 20º havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente, uma voz assim falou: “…quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível…” – vide a História de Brasília) – disseram-me inclusive que já Dom Pedro II tinha planos de mudar a capital para cá, por causa do sonho do santo.

– As flores do cerrado são coisas curiosíssimas: um tipo de fruto que tem “pétalas” dentro (na verdade, são as sementes do fruto, mas elas têm realmente formato de pétalas, e vêm diversas delas em cada fruto), as quais são usadas com hastes para formar artesenalmente as flores. Comprei algumas para levar pra casa; perguntei ao vendedor: “se eu plantar, nasce em Pernambuco?”, “ah, em Pernambuco não, só nasce onde chove”… Eu mereço…

– É tarde e dormir é preciso. Boa noite.

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