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Comentando as notícias que me chegaram durante a Semana Santa e só agora pude ler:

– A IstoÉ (!) publicou uma reportagem em defesa do sacerdócio feminino – incrível! O que sabe a IstoÉ sobre o assunto para se prestar a fazer esta propaganda de baixíssimo nível contra a Igreja Católica? A julgar pela reportagem, bem pouca coisa. Limito-me a indicar os que já se deram ao trabalho de pôr a descoberto os erros grosseiros da revista: Marcio Antonio [“uma das piores coisas da matéria é ignorar completamente a existência do documento Ordinatio Sacerdotalis, de 1994, onde João Paulo II fecha a questão definitivamente”] e Marcelo Moura Coelho [“[n]enhuma mulher pode ser ordenada, mesmo participando numa ordenação. Só homens podem ser ordenados. Caso uma mulher esteja sendo “ordenada”, o máximo que acontece ali é uma encenação, um teatro”].

– Excelente artigo do pe. Lodi publicado no blog da Julie Maria: Onde estão os gêmeos? Verdadeiramente, “a pergunta que incomoda os abortistas”. Destaco o seguinte trecho, que traz dados relevantes: “Em 2006 (último ano sobre o qual o SUS dispõe de estatísticas sobre nascidos vivos), 27.610 meninas da faixa etária de 10 a 14 anos deram à luz. Desse total, 260 deram à luz gêmeos”. Portanto [e mais uma vez], é mentira que a menina de Alagoinha simplesmente “ia morrer” se continuasse a gravidez.

– O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, bispo católico que recebeu dispensa para assumir o cargo político para o qual foi eleito, admitiu ter tido um filho “quando ele ainda era bispo da Igreja Católica”. A Reuters chama isso de “surpreendente revelação”. Eu não vejo nada de surpreendente nisso, vindo de um bispo traidor do episcopado, mancomunado com política e adepto da Teologia da Libertação. Não há nenhuma surpresa aqui: surpresa seria se ele recebesse os estigmas de Cristo.

– O Rio de Janeiro criou o “conselho para defesa de direitos de homossexuais”, por determinação do Governador Sérgio Cabral. Segundo a notícia, servirá para “elaborar, monitorar, fiscalizar e avaliar a execução de políticas públicas para o chamado público LGBT, destinadas a assegurar a esta parcela da população o pleno exercício de sua cidadania”. Todos nós sabemos o que isso significa: mais perseguição contra os que não concordam com o gay way-of-life. Rezemos.

Bebê morre sem receber alimento porque não dizia “amém” – só registro a minha profunda irritação com os comentários feitos à notícia: “as religiões, de um modo geral, só servem para alienar as pessoas”, “todo dia existem atos ligados a todos tipos de religião q matam crianças”, “religião envenena tudo”, etc., etc. Como se a Religião Verdadeira tivesse alguma coisa a ver, ainda que de longe, com este tipo de sandice. Fizeram um comentário muito oportuno na lista de emails onde foi veiculada a notícia: “Chamem o Torquemada”…

– ONGs abortistas não querem ser investigadas: é o que diz esta carta pela não instalação da CPI do aborto. Sem nenhuma surpresa, publicada no site das “Católicas pelo Direito de Decidir”. Aborto é crime; no entanto, estas ONGs não querem que ele seja investigado e nem muito menos punido, e têm a pachorra de pedir ao “Líder” [da Câmara dos Deputados] “que não indique membro para compor a CPI do Aborto” – dá para acreditar nisso?! Um tal pedido, em qualquer país sério, levantaria suspeitas e provocaria a imediata investigação destas organizações que ousam pedir que os crimes não sejam investigados. No Brasil, no entanto, é bem capaz que elas sejam aplaudidas. Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida livre o Brasil da maldição do aborto.

– A Folha de São Paulo publicou esta maravilha de reportagem sobre a Administração Apostólica São João Maria Vianney. “[O] material divulgado na igreja [DVD ensinando a celebrar a missa tridentina] contraria o próprio papa e classifica judeus como assassinos de Deus” – não dá para não ver má fé nesta reportagem irresponsável e caluniosa. Em primeiro lugar (e mais evidente), é óbvio que as mudanças do Papa às orações da Sexta-Feira Santa não mudam a doutrina nelas contida; em segundo lugar, o material em questão foi editado antes das mudanças feitas por Bento XVI. Não há, portanto, sombra de discórdia doutrinária ou de desobediência litúrgica em Campos. Há a má vontade – pra variar… – da Folha.

Mensagem de Páscoa do Papa Bento XVI: “[A] ressurreição não é uma teoria, mas uma realidade histórica revelada pelo Homem Jesus Cristo por meio da sua «páscoa», da sua «passagem», que abriu um «caminho novo» entre a terra e o Céu (cf. Heb 10, 20). Não é um mito nem um sonho, não é uma visão nem uma utopia, não é uma fábula, mas um acontecimento único e irrepetível: Jesus de Nazaré, filho de Maria, que ao pôr do sol de Sexta-feira foi descido da cruz e sepultado, deixou vitorioso o túmulo. De facto, ao alvorecer do primeiro dia depois do Sábado, Pedro e João encontraram o túmulo vazio. Madalena e as outras mulheres encontraram Jesus ressuscitado; reconheceram-No também os dois discípulos de Emaús ao partir o pão; o Ressuscitado apareceu aos Apóstolos à noite no Cenáculo e depois a muitos outros discípulos na Galileia”. Que a alegria do  Ressuscitado seja a nossa força.

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[Publico uma apressada tradução de alguns trechos de um artigo não muito recente (é do dia 23 de março), mas muito importante. É da autoria da senhora Frances Kissling, nada menos do que a “former president of Catholics for a Free Choice” – versão internacional das “Católicas pelo Direito de Decidir”. Fala o artigo sobre o grande favor que Dom Fisichella fez às pessoas que, agora, podem discutir a possibilidade do aborto direto ser, em alguns casos, um “mal menor” aceitável. Grazie, Monsignore!

O original está aqui. Rezemos pela Igreja.]

Em uma incrível mudança na estratégia do Vaticano de não destoar da sua posição de que o aborto direto não é nunca permitido, ainda que seja para salvar a vida da mãe, a maior autoridade em bioética do Vaticano, o Arcebispo Rino Fisichella, opinou que os médicos brasileiros que efetuaram um aborto em uma criança de nove anos de idade que estava grávida de 15 semanas de gêmeos não mereciam excomunhão.

[…]

[E]ste modesto desvio do arcebispo que preside a Pontifícia Academia para a Vida abre a porta para [que] os católicos que seguem os ensinamentos da Igreja sobre reprodução [possam] discutir a possibilidade de que haja alguns casos – oficialmente reconhecidos – onde as pessoas possam escolher abortar e ter uma consciência tranqüila.

[…]

Ele reafirma que o aborto é “um ato intrinsecamente mau”, mas sugere que, sob certas circunstâncias, ele possa ser o menor de dois males. Ele aceita que a vida da garota estava em perigo, e levanta esta importante questão ética: como nós devemos agir nestes casos? É, ele fala, “uma decisão árdua para os médicos e para a lei moral”. E continua: “a consciência do médico encontra-se a si mesma sozinha, quando é forçada a decidir a melhor coisa a fazer”. Está ele sugerindo que, apesar da posição da Igreja de que objetivamente o aborto é sempre errado, o indivíduo tem alguma liberdade para decidir quando ele pode ser o mal menor entre dois males e um médico pode subjetivamente, em boa consciência, decidir que o aborto era moralmente justificado em casos extremos?

[…]

Se os médicos souberem que alguém, [ocupando uma] alta posição na hierarquia, reconhece que estas situações [gravidezes de alto risco] são dilemas morais nos quais as consciências precisam decidir o que é certo ou errado, eles podem decidir que podem oferecer serviços de aborto. E, naturalmente, isto é o que o Cardeal [sic] Cardoso Sobrinho deseja evitar.

Você pode apostar que haverá uma choradeira dos ultra-conservadores na Igreja, talvez um esclarecimento do Arcebispo, mas o fato é que ele destrancou uma porta através da qual mulheres, doutores e políticos podem se arrastar [creep]. Eu sou grata pelos pequenos favores.

Frances Kissling

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As abortistas pelo direito de matar – piada!denunciaram estar sofrendo perseguição. Sofreram uma denúncia de fazerem “apologia ao aborto e facilitação de crime”. Não sei o que estas senhoras fazem à boca miúda, nas conversas privadas, nos eventos que organizam; no entanto, em uma palestra na UFPR, a sra. Rosangela Talib teria dito (de acordo com a denúncia) que a organização passa informações às mulheres sobre “profissionais e serviços [que] prestam atendimento seguro”.

Apressaram-se as assassinas a declarar que só o fazem para os casos de “aborto legal” (que só existe na cabeça dos abortistas, e não no ordenamento jurídico brasileiro, nunca é demais repetir). Na minha cabeça, contudo, é claro como água no pote que, se uma pessoa acha que assassinar é um direito, pouco ou quase nada importa a legislação machista, patriarcal e opressora das mulheres contra a qual militam furiosamente as feministas de todos os naipes. Se estas fulanas vieram a pública repudiar “a forma autoritária e inquisitória encadeada por grupos fundamentalistas com o claro propósito de evitar o debate social e realizar verdadeira perseguição às pessoas e organizações que buscam a conquista da liberdade e da emancipação de homens e mulheres” e denunciar “a existência de um processo de perseguição em curso no Brasil, com o indiciamento de mais de mil mulheres no Mato Grosso do Sul, e com a aprovação na Câmara dos Deputados de uma CPI da inquisição (do aborto), em dezembro de 2008”, eu não duvido das acusações que foram feitas. Todo abortista é, sem a menor sombra de dúvidas, um criminoso em potencial, que deve ser mantido bem longe de qualquer chance de dar vazão ao seu instinto assassino.

Enquanto isso, remédios abortistas são vendidos impunemente no Orkut. Os números que a matéria cita são alarmantes: “Para retirada dos eventuais “restos” [do feto abortado] foram feitos, só em 2008, no estado do Rio 13.342 procedimentos, entre curetagens e esvaziamentos de útero, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS). Em todo o país, foram 190.493 procedimentos no mesmo período”. Estamos falando de algumas centenas de milhares de assassinatos covardes de crianças inocentes por ano!! Isso é mais de quatro vezes o – já escandaloso! – número de homicídios por ano no Brasil. E, dos assassinos de crianças, quantos foram punidos?!

Provavelmente, as supracitadas senhoras devem considerar verdadeiros heróis os “profissionais” que se dispõem a prestar este “serviço” às mulheres. Por completa e manifesta incapacidade de discernimento moral, as abortistas pelo direito de matar – e, aliás, todos os abortistas – não deveriam ser levadas a sério em nenhuma discussão civilizada (salvo para refutação pública de seus descalabros); no entanto, estão sempre na grande mídia como se fossem experts no assunto e vozes abalizadas a serem ouvidas! Estes criminosos sem moral e sem respeito pela vida humana tencionam soterrar o país sob uma montanha de cadáveres de crianças inocentes. Urge fazer alguma coisa. Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida livre o Brasil da maldição do aborto.

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As abortistas pelo direito de matar – conhecida associação de senhoras que se dizem católicas e que, no entanto, são militantes a favor do aborto – estavam com um “encontro” agendado para este final de semana (dias 07, 08 e 09 de novembro) numa casa de religiosas em Salvador. O absurdo foi denunciado prontamente pelo pe. Adilton Lopes, da Arquidiocese da cidade.

Após alguns emails de protesto, a Superiora Geral da congregação religiosa responsável pela casa onde o evento iria ocorrer, Ir. Gilvania dos Santos, escreveu-nos dizendo que, tão logo soube quem eram as responsáveis pelo aluguel do espaço, cancelou o evento. São palavras do email da irmã (que vai em anexo):

Quando [as Católicas pelo Direito de Decidir] vieram falavam que se tratava de um grupo que  iam trabalhar com mulheres que foram violentadas e se denominaram cristãs.

Ou seja: estas canalhas não têm nem mesmo coragem de se apresentarem como o que realmente são, pois sabem que a pele de ovelha não engana a mais ninguém. Fica, assim, o registro da baixeza das abortistas, que tudo fazem para atacar por dentro a Igreja Católica. Graças a Deus que temos sacerdotes e religiosos santos, que não dão espaço para que os inimigos da vida humana façam a sua criminosa apologia do assassinato de crianças inocentes.

Nossos mais alegres cumprimentos à Ir. Gilvania dos Santos, pela firmeza e prontidão com as quais agiu para impedir o escândalo; que a Virgem Imaculada possa abençoar-lhe e a toda a sua congregação.

* * *

[Email do Instituto das Medianeiras da Paz]

Salvador, 06 de novembro de 2008.

Queridos Irmãos e Irmãs em  Cristo Jesus.

Graça e Paz em Jesus, o Mediador do Pai!

Hoje pela manhã precisamente a poucos minutos atrás ficamos sabendo do tipo do grupo que irão fazer encontro no Centro de Formação Jesus Mediador.

Por isso, somos convictas das raízes profundas da nossa Consagração e compromisso com os “eleitos de Deus” e enraizadas em Cristo Mediador que cortamos tal acontecimento contrário aos nossos princípios fundacionais e  cristãos.  Imediatamente, entramos em contato com a pessoa que solicitou o serviço e cancelamos dizendo o porquê não aceitamos este tipo de grupo. Quando vieram falavam que se tratava de um grupo que  iam trabalhar com mulheres que foram violentadas e se denominaram cristãs.

Somos uma congregação pobre, contudo os valores Evangélicos são os embasamento que temos para discernir criteriosamente e estarmos radicalmente a serviço da Vida. Toda a nossa missão nas várias localidades onde estamos expressamos com testemunho vivo da nossa presença e amor a Jesus Cristo  no Carisma de mediar, construindo a paz, através do ser humano desde a sua concepção. Lamento ter acontecido isso,  por falta de ter conhecimento do perfil desde grupo de Mulheres. Posso garantir que razão foi é a nossa razão.

Quero expressar a cada um e a cada uma  o nosso perdão pela repercussão dessa situação e asseguro que não irá acontecer o evento na nossa instalação física. Já solicitamos a retirada do nosso nome na programação deste fato diabólico. E que fomos enganadas por estas pessoas.

Que Deus nos ajude e nos conduza a favor da vida em plenitude.
Um abraço de paz pra você!

Ir. Gilvania dos Santos
Sup. Geral

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Paciência tem limites…

O ensino da Igreja sobre o aborto é claro e cristalino: não é permitido o assassinato de inocentes sob nenhuma hipótese. Também as orientações da Igreja sobre a participação dos leigos na política é extremamente clara:

João Paulo II, na linha do perene ensinamento da Igreja, afirmou repetidas vezes que quantos se encontram directamente empenhados nas esferas da representação legislativa têm a “clara obrigação de se opor” a qualquer lei que represente um atentado à vida humana. Para eles, como para todo o católico, vale a impossibilidade de participar em campanhas de opinião em favor de semelhantes leis, não sendo a ninguém consentido apoiá-las com o próprio voto.
[Congregação para a Doutrina da Fé, NOTA DOUTRINAL sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, novembro de 2002. Grifos meus]

Resumindo: já que nenhum católico pode apoiar uma lei abortista, e já que as leis abortistas são de ordinário propostas e defendidas por políticos abortistas, segue-se que o católico não pode votar em um político abortista. Mais claro do que isso, é impossível.

No entanto, fiquei sabendo que, em São Paulo, PT e padres preparam manifesto contra rejeição à Marta Suplicy. Marta Suplicy já defendeu o aborto e o casamento gay. Não me consta que ela tenha mudado de opinião. A Igreja não pode apoiar diretamente candidato algum (embora deva denunciar os candidatos nos quais os católicos não podem votar), muito menos uma candidata gayzista e abortista! No entanto, a matéria fala que os padres responsáveis pela vergonhosa carta – que vai ser distribuída nas missas – estão preocupados com “os preconceitos (!!!) de católicos que torcem o nariz para Marta por causa da defesa feita por ela do direito ao aborto e da união civil entre homossexuais”.

Alto lá! Preconceito, não. Convicções morais da mais alta importância, coerência entre a Fé que se professa e a participação que se tem na sociedade! Se os lobos de batinas (ou não…), sepulcros caiados que são, traidores da Fé, de Deus e da Igreja querem se furtar à defesa dos direitos mais elementares do ser humano, ao menos que não escandalizem o povo de Deus a eles confiado com esta desavergonhada e promíscua proposta de que se dêem as mãos ao inimigo. Vergonha que uma iniciativa deplorável como esta possa partir de sacerdotes do Deus Altíssimo, pessoas que deveriam ensinar aos homens a Sã Doutrina da Salvação, e não fazer alianças políticas com inimigos declarados da Igreja!

A notícia diz que a idéia partiu da Região Episcopal de Belém. O bispo, Dom Pedro Luiz Stringhini, já tem lamentáveis precedentes, a começar pela absurda declaração – dada ao Estado de São Paulo – quando do injustificável episódio das Abortistas pelo Direito de Matar que introduziram um escandaloso vídeo que defendia o aborto num DVD da Campanha da Fraternidade que defendia a vida; à época, Sua Excelência disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ser “provável que haja mais manifestações desse tipo, de pessoas ligadas a nós, como já ocorreu numa palestra do Núcleo Fé e Cultura, da PUC de São Paulo”. Também consta na ficha suja do sucessor dos Apóstolos o ridículo apoio dado ao “Grito dos Excluídos” (em uma carta que se inicia com “companheiros e companheiras” e que pretende – seja lá o que isso signifique – promover o “respeito nas relações de gênero, raça e etnia”).

A coisa, portanto, já está muito feia, mas parece não haver limites para os descalabros de parte do clero paulista. Peço a todos os que puderem que entrem em contato – RESPEITOSAMENTE – com Sua Excelência Reverendíssima, Dom Pedro Luiz Stringhini, questionando-o sobre esta situação escandalosa. Os contatos estão abaixo:

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Região Episcopal Belém

Fone: (11) 6693-0287
Fax: (11) 6693-5620
regiaobelem@terra.com.br
regiaobelem@uol.com.br
dpls@terra.com.br

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Que Nossa Senhora da Conceição Aparecida proteja o Brasil, e o Beato José de Anchieta interceda pela cidade que ele fundou.

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STF vai ouvir grupos sobre aborto de fetos anencéfalos. Como previu acertadamente o Rodrigo Pedroso num email enviado quando saiu a notícia do falecimento de Marcela de Jesus,

É de supor-se que agora o min. Marco Aurelio cumpra sua promessa de colocar em votação no STF a ADPF 54 (ação que pede a legalização do aborto no caso de anencefalia), já que não precisa mais temer a presença em plenário do “argumento-vivo”.

E a notícia publicada no Estadão cumpre à risca aquilo que já era de se esperar:

O ministro não pretende convidar parentes de bebês com anencefalia, como a mãe da menina Marcela de Jesus Ferreira, que, apesar de ter sido diagnosticada com anencefalia, viveu 1 ano e 8 meses.

Claro que ele não pretende convidar parentes de bebês com anencefalia. Ele quer é que as evidências que contrariam a mentira dele fiquem bem longe.

A notícia diz ainda:

A primeira audiência será religiosa. Serão convidadas a participar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Igreja Universal e a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e Católicas pelo Direito de Decidir.

Isso tem, pelo menos, dois sérios problemas.

Primeiro, como já tive oportunidade de dizer aqui, não gosto nem um pouco da idéia de abordar sob um viés religioso uma posição que, absolutamente, independe de religião. Isso só vai fazer com que os irresponsáveis do Supremo Tribunal Federal possam atacar comodamente o boneco de palha por eles criado e, enterrando a verdadeira questão sob uma pilha de argumentos anti-religiosos e anti-clericais, da exata mesma maneira que foi feito no caso das células-tronco embrionárias, dêem prosseguimento ao processo de desconstrução da civilização aumentando o rol de crimes aprovados pela delinqüência estatal.

Segundo, o que raios as Abortistas pelo Direito de Matar estão fazendo numa audiência pública supostamente religiosa?? Elas são uma igreja? São uma “comunidade religiosa”? São representantes legítimos de alguma coisa? Ou o objetivo é somente passar a falsa impressão de que a posição da Igreja Católica sobre o assunto é dúbia ou indefinida?

Estejamos atentos. Que Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira dos nascituros, livre o Brasil da maldição do aborto.

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7 –  Pensar no que se crê…

Um belo título seria este para um artigo católico, sobre um assunto tão necessário hoje em dia: a Fé enquanto atitude intelectual. Poder-se-ia falar tanta coisa! Desde Santo Agostinho, com o seu fides si non cogitatur nulla est e o seu intellige ut credas, crede ut intelligas; passando por Santo Tomás de Aquino e toda a Escolástica Medieval; chegando até o Concílio Vaticano I e os cânones sobre a relação entre a Fé e a Razão; citando a excelente Fides et Ratio de João Paulo II! Este tema é tão vasto e interessante que seria mais do que suficiente para se fazer um artigo primoroso. Todavia, quem escreve sob este título no especial do JC é… a Ivone Gebara!

Esta senhora é aquela que escreve artigos para as Católicas pelo Direito de Matar (aquien passant, notem o banner nojento em apoio descarado ao homossexualismo que se encontra no site dessas fulanas!) defendendo o aborto. Por que não provoca surpresa que ela tenha sido convidada pelo Jornal do Commercio para escrever um artigo contra o Arcebispo?

Devido às suas posições que contradizem frontalmente a Doutrina da Igreja, esta senhora não se pode pretender católica; apresenta-se todavia como teóloga (teóloga feminista, seja lá o que signifique isso, como ela se auto-define no texto) e pretende fazer uma análise sobre o legado de Dom José Cardoso. O blá-blá-blá é absolutamente intragável para qualquer pessoa que tenha um mínimo de capacidade crítica que seja.

Ela diz que viveu durante os últimos 23 anos fora das atividades oficiais da arquidiocese (por que será?), que participou de lutas que não entravam nos espaços oficiais da Igreja, que se abriu para além dos muros e das preocupações da instituição (para longe, bem longe da Igreja…), que se debruçou sobre outras maneiras de entender a tradição cristã… enfim, resumindo a tagarelice enfadonha, ela se declara herege. Reconhece ainda assim – e isso é precioso – que Dom José foi um Arcebispo fiel à Igreja, pois escreve:

O arcebispo de Olinda e Recife foi um instrumento, entre outros, da crença na restauração da Igreja através da disciplina e do Direito Canônico. Essa foi uma das tendências que se expandiu no pontificado de João Paulo II e tornou-se para muitos uma nova cruzada cristã. Nesse sentido, dom José foi um fiel servidor das orientações papais e das orientações das instâncias romanas de governo da Igreja.

Todavia, tem uma visão completamente marxista da sociedade. Os padres chegam a ser grandes capitalistas (…), que dão as diretivas para o funcionamento político do cristianismo no mundo! Com tamanha miopia religiosa, que espécie de análise esta mulher poderia fazer? Todo o artigo é o mesmo besteirol de sempre, de uma superficialidade infantil: por um lado, destila rebeldia contra o Papa ([n]ão podemos mais acreditar que o destino de uma comunidade está nas mãos de um só homem como se fôssemos todos crianças dependentes de sua orientação e pensamento) e, por outro, conclama as pessoas à “Revolução” (convido os leitores a descobrir as boas novas que estão hoje no meio de nós, (…) [que] deram um outro rumo à vida, um rumo que foi capaz de reavivar esperanças e renovar a força libertária de muitos). Não tenho mais paciência para escrever contra esse tipo de coisa (e, aliás, acho que tampouco ninguém tem paciência para ler). Este artigo entra no conjunto daqueles que servem como elogios “pelo caminho contrário”. Para terminar, somente destaco um ato falho cometido pelo jornal:

Mas o arcebispo não estava só nas posições que tomou, por exemplo, contra o aborto, a distribuição de preservativos, as atividades políticas de alguns sacerdotes ou as posições críticas de leigos. Foi respaldado por um bom número de adeptos locais e, sobretudo, pelas instâncias do poder romano.
[grifos meus]

Talvez por falta de revisão, aquilo que é evidente “escapuliu” e entrou na reportagem: Dom José Cardoso – ao contrário do que o caderno especial do JC inteiro dá a entender – nunca esteve sozinho nesses 23 anos em que governou a nossa Arquidiocese, e quem o diz não é um carola amigo do bispo, mas sim uma senhora que lhe é contrária. Ao longo das tribulações, Sua Excelência sempre contou com o apoio do povo fiel, do povo que não é modernista nem TLista, do povo que é católico simplesmente, e que enxerga no seu Arcebispo um sucessor dos Apóstolos, enviado por Deus para o conduzir, aqui na terra, pelos caminhos estreitos e difíceis da vida cristã; caminhos abertos pelo Crucificado, e que – se forem seguidos com sinceridade – conduzem, no final, à Vida Verdadeira e à Glória que não tem fim. São estas as coisas com as quais o povo realmente se importa; o resto, são preocupações vazias de gente desocupada que não tem mais o que fazer.

* * *

Anexo – .O adeus do arcebispo

ARTIGO
Pensar no que se crê…
Publicado em 04.07.2008

[A]ceitei, não sem hesitação, escrever algumas linhas sobre o legado de dom José Cardoso depois de 23 anos de arcebispado. Confesso que vivi todo esse tempo, por opção própria, fora das atividades oficiais da arquidiocese. Abracei causas que não cabiam nas preocupações de sua missão em Olinda e Recife, embora estivessem no dia-a-dia da vida do povo. Como filósofa e teóloga feminista, participei de lutas que não entravam nos espaços oficiais da Igreja. Abri-me para outros desafios, para além dos muros e das preocupações da instituição. Discordei de posições oficiais e me debrucei sobre outras maneiras de entender a tradição cristã. Creio que esse caminho foi trilhado também por outras pessoas e grupos que não se sentiam “em casa” na arquidiocese, pois haviam descoberto em suas vidas referências diferentes das existentes na instituição religiosa. Estou convencida de que essa situação não está necessariamente ligada à pessoa do arcebispo, mas à acelerada mutação do mundo em que vivemos. O cristianismo se tornou mais plural do que sempre foi e a competição entre as várias interpretações e denominações do legado de Jesus estão na ordem do dia dos mercados religiosos. Os sacerdotes hoje não são apenas os jovens que continuam sendo ordenados pelas dioceses, mas os grandes capitalistas ditos cristãos, que dão as diretivas para o funcionamento político do cristianismo no mundo. O arcebispo de Olinda e Recife foi um instrumento, entre outros, da crença na restauração da Igreja através da disciplina e do Direito Canônico. Essa foi uma das tendências que se expandiu no pontificado de João Paulo II e tornou-se para muitos uma nova cruzada cristã. Nesse sentido, dom José foi um fiel servidor das orientações papais e das orientações das instâncias romanas de governo da Igreja. Houve uma nítida pretensão de volta à hegemonia do poder católico romano na sociedade, orquestrada pelo Vaticano. Crença talvez ingênua nos países de passada maioria cristã onde o pluralismo religioso cresce a olhos vistos.

Tenho procurado distanciar-me das posturas saudosistas e dos revanchismos. Creio que essas posturas nos impedem de assumir a responsabilidade de não só entendermos o que se passa em nosso mundo, mas de reagirmos com responsabilidade não só diante das políticas do Estado, mas das políticas das Igrejas. Não podemos mais acreditar que o destino de uma comunidade está nas mãos de um só homem como se fôssemos todos crianças dependentes de sua orientação e pensamento. Sem dúvida, não desprezo a capacidade das lideranças, mas não creio que elas tenham o poder de mudar a história à revelia da maioria ou sem a força de uma elite poderosa. A maioria, em nosso caso, estaria ocupada em outras coisas ou desinteressada dos rumos da instituição? Ou estaria habituada a ser conduzida e, por isso, não assumiu a responsabilidade de conduzir-se? De fato, sob a liderança de dom José muitas polêmicas se abriram em relação a assuntos da maior importância social. Mas o arcebispo não estava só nas posições que tomou, por exemplo, contra o aborto, a distribuição de preservativos, as atividades políticas de alguns sacerdotes ou as posições críticas de leigos. Foi respaldado por um bom número de adeptos locais e, sobretudo, pelas instâncias do poder romano. Vivemos essa situação como um conflito político e cultural de grande alcance mundial. O conflito religioso é apenas uma parte desse conflito e nele algumas pessoas “religiosas” aparecem como responsáveis. Na verdade são apenas, em pequeno grau, responsáveis. São parte de um grupo ideológico religioso em conflito com outros grupos. No cristianismo do passado esses conflitos fizeram história e continuam fazendo-a no presente. Dom José faz apenas parte desse conjunto maior de conflitos históricos. Nesses 23 anos muitas coisas novas e desafiantes aconteceram, talvez propulsadas pela postura defensiva e legalista da arquidiocese. Essas coisas novas são, a meu ver, a herança indireta ou o legado de nossas ações coletivas e individuais. Por essa razão, convido os leitores a descobrir as boas novas que estão hoje no meio de nós, para além de nossos desapontamentos. Elas deram um outro rumo à vida, um rumo que foi capaz de reavivar esperanças e renovar a força libertária de muitos. Há tesouros humanos espalhados no meio de nossa cidade. Podemos vê-los, reconhecê-los como serviços ao bem comum e dar graças à vida porque estão vivos no presente, graças ao passado que tivemos.

» Ivone Gebara é filósofa e teóloga

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