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Archive for the ‘Traduttore Traditore’ Category

[Publico um texto que foi enviado por email para a lista Tradição Católica e Contra-Revolução, sobre o Papa Libério. É uma tradução – “meio de fundo de quintal”, como disse a tradutora – de um livro de Patrick Madrid, “Pope Fiction”; tem a sua importância porque joga algumas luzes sobre um período tenebroso da história da Igreja – a crise ariana – com o qual muitas vezes a situação dos nossos dias é (mal) comparada. Leitura interessante e vivamente recomendada; a mensagem original está aqui, sobre a qual fiz apenas umas ligeiras correções tipográficas e de formatação.

O objetivo do artigo é fazer apologética anti-protestantismo, defendendo a infalibilidade papal dos ataques dos hereges seguidores de Lutero. No entanto, presta-se muito bem a uma outra apologética, contra alguns supostos “tradicionalistas” que se esmeram em encontrar, na História da Igreja, alguma (inexistente) situação que possa ser análoga àquela que eles imaginam que a Igreja atravessa hoje; na verdade, em se dando crédito às informações de Patrick Madrid, não há comparação possível – neste aspecto da “perseguição” dos Papas aos “guardiões da Fé” – entre a crise moderna e a crise ariana.]

Papa Libério

Em “Pope Fiction” de Patrick Madrid

“Os católicos afirmam que o papa é infalível em questão de fé e moral, mesmo assim, o Papa Liberio (352-366) assinou o credo ariano, e portanto apoiando o ponto de vista herético a respeito de Cristo. Obviamente, então, a infalibilidade papal é uma falácia.”

O Papa Libério é o primeiro dos três papas “hereges” favoritos, usados por anti-católicos com o objetivo de argumentar contra a infalibilidade papal (os outros dois são Vigilio e Honorio). Supostamente, este pontífice não só manteve uma visão errônea a respeito de Cristo, mas na verdade, apoiou o erro subscrevendo um credo herético. Se isto for verdadeiro, como podem os católicos afirmar a infalibilidade papal?

O século quatro foi um período muito difícil para a Igreja Católica. Apesar de todas as esperanças dos católicos ortodoxos, o concílio de Niceia não pôs fim ao movimento Ariano. Pelo contrário, o bonde ariano ganhou velocidade e um monte de passageiros novos. Especialmente quando o imperador “Constantius” tomou para si a tarefa de propagar o Arianismo por todo o império. Os seus esforços colocaram o imperador em conflito direto com Atanásio, o bispo de Alexandria e um ferrenho defensor da ortodoxia. Constantius foi capaz de conquistar um forte apoio eclesial contra Atanásio. Para infelicidade de seus planos malignos, ele não conseguiu persuadir o Papa Libério, o “altamente importante” bispo de Roma. O tamanho do esforço que ele fez para influenciar Libério é evidência forte da importância óbvia que o papa tinha, mesmo na Igreja antiga.

O Papa Libério, como Atanásio, manteve firmemente o credo do Concílio de Niceia. Isto, para ele, era o teste final da ortodoxia. Não só ele concordava com o grande bispo de Alexandria a este respeito, mas também mostrou seu apoio endossando uma carta assinada por setenta e cinco bispos egípcios que apoiavam Atanásio. Da mesma forma, o Papa Libério rejeitou uma carta enviada pelo imperador e vários bispos hereges que insistiam que ele condenasse Atanásio. A última gota para Constantius foi a rejeição do Papa Libério de um enorme suborno (e também da concomitante ordem do imperador ariano de que o Papa “entrasse na linha”).

Constantius, num ataque de ira, mandou prender Libério e levá-lo para Milão a fim de ser apresentado diante dele em 357 d.C.. O imperador tentou todos os meios de pressão para forçar Libério a submeter-se à sua vontade e a condenar Atanásio, mas o bispo de Roma resistiu. Finalmente, sem nenhum sucesso, Constantius baniu Libério para o exílio em Trácia (Bulgária, Turquia, Grecia).

Até aqui, a maioria dos estudiosos concordam sobre os acontecimentos básicos. Porém é aqui que surgem as verdadeiras questões. Depois de dois anos de prisão, exílio e intimidação, Libério foi solto e pôde voltar para a Sé em Roma. Por que ele foi repentinamente libertado? Ele cedeu finalmente e assinou o credo herético, condenando Atanásio? Ou o imperador percebeu a futilidade de mantê-lo preso? Existe evidência para as duas coisas.

Um número de contemporâneos da época, Sto Atanásio um deles, afirmaram que Libério de fato cedeu e assinou o credo falho. Mas não podemos nos esquecer que estava sob extrema coerção, mentalmente e fisicamente, e estava sendo ameaçado de tortura e de ser executado caso não assinasse. Só por esta razão, o Papa Libério não pode ser considerado totalmente responsável por ter cedido. É verdade, ele poderia ter sido mais corajoso e mais forte, mas é fácil falar quando não se está em situação semelhante. Não podemos nos esquecer a importante dimensão humana deste caso. Muitas pessoas se imaginam sendo resolutamente corajosas diante da tortura ou da morte caso sua fé cristã seja desafiada. Mas quando chega a hora, o comportamento real pode ser bem diferente daquele que se esperava ter. E quando forçados a fazer algo errado através de coerção e ameaças de violência ou morte, a pessoa não é culpada do ato como teria sido se tivesse toda liberdade. Não é diferente
com o Papa Libério.

Enquanto Atanásio manteve firmemente a posição de que Libério tinha cedido e revertido sua opinião, ele (Atanásio) não estava em condições de conhecer todos os fatos. Ele estava escondido naquela época e não tinha à sua disposição as melhores informações a respeito do assunto (John Chapman, O.S.B. – Enciclopedia Catolica) . Da mesma forma, S. Jerônimo acreditava que Libério cedeu sob pressão, embora sua posição era baseada numa série de cartas que são hoje consideradas falsas. O próprio ariano, “Philostorgius”, se uniu à S. Jerônimo. O historiador antigo Sozomen afirmou que Libério assinou vários credos, mas nenhum deles era explicitamente herético; no pior dos casos, eles eram ambíguos em sua Cristologia.

Um historiador da Igreja (John Chapman, O.S.B. – Enciclopedia Catolica) explica as razões para acreditar na inocência de Libério com relação a esta acusação:

“Pode parecer que quando Sto. Hilario escreveu seu livro ‘Adversus Constantium’ em 360, pouco antes do seu retorno do exílio no Oriente, ele acreditava que Libério tinha tropeçado e renegado Sto Atanásio (i.e., a posição ortodoxa); mas suas palavras não são bem claras. Quando ele escreveu ‘Adversus Valentem et Ursacium’ depois do seu regresso, ele demostrou que a carta ‘Studens Paci’ era uma falsificação, anexando a ela algumas cartas nobres do Papa. Agora isto parece provar que os Luciferianos estavam usando a ‘Studens Paci’ contra Rimini (concílio), para poder mostrar que o Papa, que agora na opinião deles, era indulgente demais para com os bispos afastados, era ele próprio culpado de uma traição ainda pior contra a causa católica antes do seu exílio. Na opinião deles, tamanha queda iria “des-papa-lo” e invalidar todos os seus atos subsequentes. Que Sto Hilario tenha tido tanto trabalho para provar que ‘Studens Paci’ era forjada torna evidente que ele não acreditava que Libério tinha caído depois do exílio; caso contrário seus esforços teriam sido inúteis. Conseqüentemente, Sto. Hilario se torna uma testemunha forte a favor da inocência de Libério. Se Sto. Atanásio acreditava na queda de Libério, isto aconteceu quando ele estava às escondidas, e imediatamente após o suposto acontecimento; aparentemente ele foi enganado momentaneamente pelos rumores espalhados pelos arianos.”

Embora seja possível que o Papa Libério tenha fraquejado sob a pressão de Constantius, não podemos ignorar esta forte evidência de que ele não o fez. Tanto St. Sulpicio Severo (403 d.C.) como o Papa Sto Anastácio (401 d.C.) mantêm que Libério permaneceu firme, se recusando a ceder (John Chapman, O.S.B. – Enciclopedia Catolica). Esta afirmação é reforçada pelo caráter do seu retorno à Roma depois do exílio; ele recebeu uma acolhida de herói quando entrou na cidade. De fato, o regresso de Libério foi um de triunfo. Se ele tivesse fraquejado e assinado o credo ariano, certamente ele não teria sido tratado desta maneira.

Novamente, uma análise cuidadosa dos detalhes históricos está longe da crença comum de que o Papa Libério tenha falhado:

“Os fortes argumentos para a inocência de Libério são ‘a priori’. Se ele tivesse realmente cedido à pressão do imperador durante seu exílio, o imperador teria publicado sua vitória por todos os cantos; não existiria a possibilidade de nenhuma dúvida; teria sido mais notório do que a vitória sobre Hosius. Mas se ele foi libertado porque os romanos exigiram a sua volta, porque sua deposição tinha sido demasiado anti-canônica, porque sua resistência tinha sido heróica, e porque Felix não tinha sido reconhecido como papa, então podemos ter certeza de que ele seria suspeito de ter feito alguma promessa ao imperador; os arianos e os felicianos também, e logo os luciferianos, não teriam nenhuma dificuldade em espalhar o relato de sua queda e receber crédito por isso. É difícil ver como Hilário no exílio e Atanásio no esconderijo pudessem não acreditar tal estória, quando ouviram que Libério teria retornado, embora os outros bispos exilados ainda não tivessem liberados. E mais, o decreto do papa depois de Rimini, de que os bispos afastados não poderiam ser restabelecidos a menos que mostrasssem sua sinceridade através de vitalidade contra os arianos, teria sido risível, se ele próprio tivesse caído antes, e não tivesse publicamente feito penitência pelo seu pecado. Mesmo assim, podemos estar certos de que ele não fez nenhuma confissão pública sobre ter falhado, nenhuma renúncia, nenhuma reparação.” (John Chapman, O.S.B. – Enciclopedia Catolica)

Se o imperador Constantius tivesse vencido essa briga de “quem pode mais” com o pontífice romano, por que ele não a divulgou? Pode-se imaginar como ele teria explorado tal golpe. A capacidade de soltar aos quatro ventos que o papa tinha cedido às suas exigências ter sido uma propaganda de enorme valor para o imperador. Afinal, a finalidade dele tentar forçar o Papa Libério a assinar o credo herético era para que ele pudesse usá-lo como exemplo a ser seguido por outros bispos ortodoxos. Seu objetivo era precisamente explorar a influência e prestígio do papa.

Se o papa Libério acabou assinando o credo, certamente Constantius teria bradado aos quatro ventos. Mas o imperador foi silencioso. Nem ele, nem seus acessores mencionaram algo sobre isso. Embora seja verdade de que este argumento esteja baseado no silêncio, não se pode negar que este fato histórico particular torna mais difícil imaginar que o papa Libério tenha de fato fraquejado.

Por fim, quando Constantius morreu, o arianismo perdeu o seu maior defensor. A ortodoxia voltou à tona, assumindo sua posição prévia. O papa Libério atacou os bispos arianos por sua heresia, e exigiu arrependimento total da parte deles antes que pudesse retornar à comunhão com a Igreja. De fato, eles foram tratados como colaboradores do inimigo e traidores de Cristo. Como poderia Libério ter agido de tal forma se ele mesmo tivesse assinado o credo ariano? Alguém sem dúvida teria mostrado a hipocrisia de tal ato. Não houve, porém, tal clamor.

Assim vemos que existem argumentos para ambos os lados da questão, com peso na crença de que o papa Libério não se dobrou diante da pressão feita por Constantius. Mas mesmo se ele tivesse, isso não afetaria a infalibilidade papal. Supondo que o pior cenário seja verdadeiro, papa Libério somente assinou um credo herético depois de dois anos de perseguição, exílio e coerção nas mãos do imperador. A tal assinatura não se deu por sua livre e espontânea vontade. Por esta razão, a infalibilidade papal não é um problema, pois infalibilidade requer que o papa esteja exercendo-a de livre vontade – à parte de qualquer pressão externa. E isto claramente não foi o caso se, de fato, Libério tenha assinado o documento. Obviamente, então, a infalibilidade papal não estava em risco.

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Quatro notícias sobre o desmoronamento do mundo:

– Na Escócia, duas crianças foram arrancadas da casa dos avós onde viviam para serem entregues a uma dupla gay. Um menino e uma menina, irmãos, de quatro e cinco anos. Pelo que pude entender com meu italiano traditore, os avós legítimos dos meninos – pais da sua mãe biológica – são, pelas leis escocesas, muito velhos para cuidar de crianças. Ele tem cinquenta e nove anos e, ela, quarenta e seis. Lutaram por dois anos para manter a guarda dos netos, até esgotarem os seus recursos financeiros com as despesas legais; entregando-os por fim à adoção, foram supreendidos ao saberem que eles iriam ser entregues para uma dupla de homens. De nada valeram os protestos do avô: ameaçaram-lhe não lhe deixar mais ver os meninos, caso ele se mostrasse hostil à decisão! Apesar de 90% (isso mesmo, noventa por cento) dos escoceses terem se mostrado contrários à idéia (quando foram consultados à época), desde 2006 que duplas de homossexuais podem adotar crianças na terra de William Wallace. A mesma notícia diz ainda que casais obesos ou fumantes tiveram adoções negadas. Ou seja, tudo bem ser gay, o que você não pode de nenhuma maneira é ser gordo…

– No Reino Unido, uma enfermeira evangélica foi suspensa por ter se oferecido para rezar por um paciente:

A Sra. Petrie, cristã comprometida, de 45 anos, enfrenta uma ação disciplinar após ser acusada de não cumprir um compromisso de igualdade e diversidade. Poderia ser despedida depois de perguntar a uma paciente idosa se queria que rezasse por ela.

Não sei se foi motivado pelo fato; mas o Cardeal Bertone denunciou fortemente o laicismo, nesta quinta-feira (ontem), ao afirmar que relegar a religião ao âmbito privado é uma violação da liberdade religiosa

– Não entendi absolutamente nada sobre este discurso do presidente Obama. Atacando as divergências religiosas e tentando, ao que parece, propôr uma espécie de indiferentismo religioso como único remédio para a “intolerância”, o senhor presidente fez a seguinte afirmação que tenho até medo de traduzir: There is no God who condones taking the life of an innocent human being. This much we know. Ou seja, “não há Deus que perdoe tirar a vida de um ser humano inocente. Isto nós sabemos bem”.

O que raios o presidente mais abortista que já passou pelos Estados Unidos quer dizer com isso, é mistério que escapa à minha estreita compreensão. É hipocrisia? É desespero, afirmando que Deus não o pode perdoar porque ele apóia e financia o destroçamento de seres humanos inocentes? É sinal de conversão e de mudança de posições? Rezemos pelos Estados Unidos da América; que o solo americano não seja ainda mais manchado pelo sangue dos inocentes assassinados antes de virem à luz.

Hoje começou a “redução de alimentação” – leia-se, o assassinato por inanição – da “Terri Schiavo” italiana, Eluana Englaro. 38 anos, em estado vegetativo permanente há 17, a Justiça autorizou recentemente o seu assassinato após pedidos da família. No entanto, ainda há esperança, pois “o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que está estudando a aprovação de um decreto urgente para barrar a sentença que permite a suspensão da alimentação artificial à italiana”. Rezemos também por esta garota. E, enquanto o mundo desaba, que a Virgem Maria seja em nosso favor, para que permaneçamos firmes, custe o que custar, nadando contra a corrente, contra tudo e contra todos se necessário for, em santa intransigência para com as Leis de Deus.

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[Publico apressadamente a tradução de um post de hoje do Dinoscopus, que se apresenta como sendo o lugar das “colunas semanais do bispo Richard Williamson, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X”. Não conhecia este blog; publico no entanto com a esperança de que a notícia seja verdadeira, e Nosso Senhor, acordado pelas nossas súplicas, possa acalmar a tempestade que se abateu nos últimos dias sobre a Igreja.

(P.S.: o Fratres in Unum acabou de publicar a mesma carta.)

Trata-se de uma carta de Dom Williamson pedindo perdão ao Santo Padre e ao cardeal Catrillón Hoyos pelo mal-estar causado por suas declarações referentes ao Holocausto na televisão sueca.]

A Sua Eminência, Cardeal Castrillón Hoyos

Vossa Eminência,

No meio desta tremenda tempestade da mídia ensejada por observações imprudentes feitas por mim na televisão Sueca, imploro a V. Ema. que aceite, enquanto é devidamente respeitoso [only as is properly respectful], meu sincero pesar por ter causado a V. Ema. e ao Santo Padre tantas aflições e problemas desnecessários.

Quanto a mim, tudo o que importa é a Verdade Encarnada, e os interesses de Sua Única e Verdadeira Igreja, através da qual somente [through which alone] nós podemos salvar as nossas almas e dar eterna glória, a nosso pequeno modo, ao Deus Todo-Poderoso. Tenho apenas um comentário, do profeta Jonas, I, 12:

“Tomai-me, disse Jonas, e lançai-me às águas, e o mar se acalmará. Reconheço que sou eu a causa desta terrível tempestade que vos sobreveio”.

Por favor também aceite, e transmita ao Santo Padre, meus sinceros agradecimentos pessoais pelo documento assinado na última Quarta-Feira e tornado público no sábado. O mais humildemente possível [most humbly], eu irei oferecer uma missa para ambos.

Sinceramente vosso em Cristo,

+ Richard Williamson

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Qui non congregat cum Ecclesia, spargit.

Coloquemos a frase acima como corolário da profecia de Nosso Senhor: quem não ajunta com a Igreja, espalha. É a primeira coisa que me veio à cabeça quando terminei de ler a entrevista que Mons. Fellay deu no escopo de uma carta redigida pelo Mons. Williamson, que por sua vez comentava a decisão do Santo Padre de perdoar as excomunhões de ambos e dos outros dois bispos da Fraternidade.

O mons. Williamson — que a imprensa brasileira, canalha como sempre, deu-lhe logo o título de “bispo que nega o holocausto” — descreveu o decreto papal como um grande passo à frente para a Igreja sem que fosse uma traição da FSSPX. Reparem bem como o decreto papal, à williamsoniana, é um grande passo para a Igreja. Ele explica: o problema da Igreja, depois do Concílio Vaticano II, é a separação entre a Verdade Católica e a Autoridade Católica. A Igreja — autoridade católica — com esse decreto, estaria mais próxima  da reunião com a verdade católica. Mons. Williamson também faz questão de confrontar a tripla relação entre modernistas, tradicionalistas e papa em dois momentos. Um, anterior ao decreto de “re-comunicação” e outro posterior:

1. Papa e conciliaristas x tradicionalistas.

2. Conciliaristas x tradicionalistas, com o papa ou fora da equação ou do lado dos tradicionalistas.

O problema desse raciocínio está na oposição que o papa anteriormente ao decreto faria aos tradicionalistas. Isso não é verdade. O diagnóstico mais preciso se impera: in medio, Papa. Seja antes ou depois de qualquer decreto, o papa é o sinal visível da unidade da Igreja e não se alinha, ipso facto, com quem quer que seja, conciliarista ou tradicionalista. O dever do papa é com a Igreja de Nosso Senhor e com a salvação das almas.

Para o monsenhor, Roma precisaria ser reconstruída em muitos dias. E acusa, de fato, os — como ele chama — neo-modernistas (sem dizer quem são, é claro. Legio, quia multis sunt!) de errarem na fé. Mas, numa lógica de quem aceita caçar com gato, na falta de cachorros, o monsenhor agradece a Deus, à Virgem e ao Papa a guinada da Igreja Conciliar!

E o monsenhor responde aqueles zelosos pela super-tradição que se perguntavam, aflitos, se seria esse o momento da Fraternidade se render ao conciliarismo: “De jeito nenhum!”, garantindo apenas a participação da FSSPX em discussões, coisa que a Fraternidade já havia feito em 2000, quando levantou algumas condições. Certamente, conclui o monsenhor, as discussões não estão livres de perigo. Mas regozija-se da oportunidade de dar razão à esperança. A esperança de resgatar a Igreja do erro!

Felizmente, tal postura — embora não condenada — não é endossada pelo superior da Fraternidade, Mons. Fellay, que numa entrevista dada ao jornal suíço Le Temps, diz não ser a visão da fraternidade a impressão daquilo que falou Mons. Williamson. É verdade que, em essência, ambos guardam a mesma visão do “problema” da Igreja: sobre o “Ecumenismo” (o que eles dizem que o Vaticano II diz), a liberdade religiosa, o Novus Ordo Missae.

No entanto, o último trecho da entrevista do Mons. Fellay é que nos dá a razão da nossa esperança. Quando a repórter pergunta o que acontecerá se a negociação terminar:

“- [Fellay:] Estou confiante. Se a Igreja diz algo hoje que contradiz o que ensinava ontem, e somos forçados a aceitar esta mudança, então [a Igreja] tem de explicar a razão. Eu acredito na infalibilidade da Igreja, e acho que vamos alcançar uma solução verdadeira”.

A diferença, embora acidental, nos discursos é flagrante. Primeiro, Mons. Fellay fala da contradição da Igreja em termos condicionais. Se a Igreja diz algo hoje que contradiz o que ensinava ontem. E se não diz? O espírito do debate também é o mais excelso e altaneiro: alcançar uma solução verdadeira, porque a Verdade é o que deve prevalecer no debate. Não vir a Roma corrigi-la, mas para alcançar a Verdade. Se Mons. Fellay condiciona a Verdade  da solução — como bom católico que é — à infabilidade da Igreja e diz que a “autoridade católica”, para usar a expressão de Williamson contradiz o que a Igreja dizia, então houve uma ruptura no Magistério. Pela ruptura, é que se dá o descompasso entre “verdade” e “autoridade”. Se não há — como sabemos — ruptura alguma, se o Magistério autêntico é, subsiste e continuará a ser o Magistério da Igreja, ininterrupto ao longo de 265 pontificados, então a Fraternidade poderá unir-se às fileiras do Exército do Senhor Jesus sem reservas, sob o manto da Santíssima Virgem e o cajado do Santo Padre Bento XVI — Deus o quer! Deus lo vult!

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[Original disponível no site da Catholic League

Fazemos eco ao que disse o presidente da Liga Católica: é bastante significativo que uma das primeiras atitudes do presidente norte-americano tenha sido justamente direcionar fundos federais para financiar o aborto. Esperamos que os católicos verdadeiros vejam isso, a fim de que não assistam atônitos e impassíveis ao genocídio silencioso.]

Obama financia o aborto

23 de janeiro de 2009

As notícias recentes dizem que o Presidente Barack Obama vai derrubar as restrições de financiamento de abortos [realizados] em alto mar [overseas] hoje. A política da Cidade do México, que negava financiamento federal para organizações privadas que fazem e promovem abortos, será rescindida por uma ordem executiva.

O presidente da Liga Católica, Bill Donohoue, informou-nos sobre esta decisão hoje:

“Eis que temos um presidente negro pegando dinheiro dos pagadores de impostos, em uma época de crise econômica, e entregando-o para organizações – muitas das quais são anti-católicas – a fim de que elas possam gastá-lo matando bebês não-brancos em países do Terceiro Mundo. E Obama é conhecido como um progressista.

Obama falou repetidas vezes que não é pró-aborto, e alguns católicos, babando [salivating] por um trabalho na sua administração, acreditaram nele. Ele está no cargo há apenas alguns poucos dias e uma das primeiras coisas que ele decidiu fazer foi financiar o aborto. Isto poderia ser equiparável [on a par with] a alguém que dissesse ser a favor do controle de armas e fornecesse fundos para a NRA [National Rifle Association]. De fato, ninguém gasta dinheiro para apoiar algo que ele realmente abomine. Em suma, é o tempo em que os grupos pró-aborto podem simplesmente dizer que, quaisquer que sejam as reservas que eles possam ter referente ao aborto (e alguns não têm nenhuma), elas [as reservas] estão compensadas [outweighed] pelo seu total apoio a ele.

Exatamente na Segunda-Feira passada, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos tornou pública uma carta enviada para Obama pedindo-lhe que mantivesse a política do Estado do México. Obama tomou sua decisão, e nós esperamos que todo católico que é realmente pró vida entenda isso”.

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[Traduzo mensagem que recebei da Catholic League. O original está aqui. Cada vez mais eu me convenço que não sei inglês – as traduções que achei mais estranhas estão, como de praxe, com o original entre colchetes – e, portanto, correções são muitíssimo bem-vindas.

Fica, aqui, o registro do reconhecimento que o povo americano – em particular, o povo católico – deve ao presidente dos Estados Unidos, George Bush. Nos dias de hoje, quando muita gente fala mal de alguém, é um forte indício de que deve ser alguém bom; o exemplo do presidente americano é muito ilustrativo disto. “O melhor amigo da comunidade pró-vida”! Tenhamos consciência do aliado que foi perdido. E rezemos pelos Estados Unidos da América, que terá agora como presidente talvez o pior inimigo da comunidade pró-vida que já se destacou no cenário político americano. Que Deus tenha misericórdia de nós todos.]

16 de Janeiro de 2009

BUSH PROCLAMA DIA PRÓ-VIDA:
OBAMA IRÁ RESPEITÁ-LO?

Ontem, o presidente George W. Bush proclamou o dia 18 de janeiro como sendo o “Dia Nacional da Santidade da Vida Humana”. Ele disse que “toda vida é um dom de nosso Criador, que é sagrada, única e merece proteção”. O presidente enfatizou que “nós desejamos construir uma sociedade na qual toda criança é bem-vinda à vida e protegida pela lei”.

O presidente [Bush] foi elogiado pelo presidente da Liga Católica, Bill Donohue:

“George W. Bush será lembrado por ter feito mais na construção de uma cultura da vida do que qualquer outro presidente. Não é que o seu pai e Ronald Reagan não tenham sido também campeões da vida; a diferença é que este presidente enfrentou mais desafios, e ele cumpriu o que prometeu [make good on] em cada um deles. De pesquisas com células-tronco embrionárias e clonagem até o Ato de Proteção às Crianças Nascidas Vidas e o aborto por nascimento parcial, George W. Bush foi o melhor amigo da comunidade pró-vida”.

“Barack Obama logo será presidente. Ele é um explícito [avowed] campeão do direito ao aborto. Quando, durante a campanha, foi perguntado quando a vida começava, ele hesitou [balked], dando uma fraca [lame] resposta. Brilhante como ele é, Obama não está bem informado sobre esta questão que é a mais fundamental de todas: qual é o início da vida humana? Mas até mesmo aqueles que afirmam não ser possível a ninguém estar certo quanto a isso devem estar inclinados a oferecer proteção para aquilo que pode ser uma vida. Assumir outra coisa é um “jogo de sorte” [game of chance] que nenhuma sociedade moralmente responsável deve tolerar”.

“No dia 22 de janeiro, a Marcha pelo Direito à Vida vai acontecer em Washington. Sabemos da posição honrosa do presidente Bush [? – We know of President Bush’s honorable record]. Agora, esperamos para ver o que o presidente Obama vai dizer no 36º aniversário da infame decisão de Roe vs. Wade”.

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[Tradução bem livre]

União Européia rejeita patente que “envolve necessariamente a utilização e destruição de embriões humanos”

1º de Dezembro de 2008 (LifeSiteNews.com) – O Escritório de patentes da União Européia decidiu que, nos termos da Convenção Européia de Patentes (European Patente Convention – EPC), ele não pode oferecer uma patente para o então chamado “Projeto de Células-Tronco de WARF/Thomson”, argumentando que ele envolve a destruição de embriões humanos. O projeto é sobre um método para a obtenção de culturas de células-tronco embrionárias de primatas, incluindo humanos, e foi apresentado pela “Wisconsin Alumni Research Foundation” (WARF) em 1995.

O comitê de financiamentos do Escritório de Patentes decidiu que não é possível conceder uma patente para uma invenção que envolve necessariamente a utilização e destruição de embriões humanos. O EPC não permite que sejam patenteadas invenções cuja exploração comercial seja contrária à ordem ou à moralidade públicas.

Wesley Smith, um advogado americano e escritor [especializado] em questões bioéticas, disse que a decisão é extraordinária pois é a primeira vez em que há uma indicação da União Européia de que o estatuto moral do embrião humano está em causa.

Embora uma decisão do Departamento de Patentes não proíba o uso de embriões em pesquisas, Smith escreve que isto vai “desencorajar os que poderiam usar embriões comercialmente”.

“Em todo caso”, Smith escreveu, “não vamos mais ouvir sobre zelotas religiosos impondo suas vontades aos racionais modernos. A Europa possui uma cultura tão secular quanto se pode encontrar no mundo”.

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