Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Traduttore Traditore’ Category

[Fonte: Messainlatino.it
Tradução: Gustavo Souza
]

Desmoronadas as igrejas, não desmorona a Fé.

missa-pos-guerra

Dedicamos esta imagem aos terremotos de Abruzzo: as esplêndidas igrejas daquela cidade estão desmoronadas ou gravemente danificadas. Assim também era durante a guerra mundial em tantos lugares. O edifício está em ruínas, mas nesta velha fotografia vemos uma missa solene celebrada com sobriedade e dignidade, como se realmente fosse a primeira, como se fosse a última, como se fosse a única.

Também entre aqueles escombros, o Rei dos Céus se faz presente, por meio do Seu Sacerdote: um poder inestimável dos ordenados, que nem mesmo os anjos possuem. Também em meio a tantas ruínas e desolação, é possível subir ao altar de Deus, nossa alegria: introibo ad altare Dei / ad Deum qui laetificat iuventutem meam. Na dor e na provação, é justo cantar os louvores do Altíssimo: Confitebor tibi in cithara, Deus, Deus meus. Quando, por fim, não temos mais nada, podemos confiar em Deus: Spera in Deo, quoniam adhuc confitebor illi.

Em uma Missa, também entre tantas angústias [ambasce], o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de nosso Senhor são oferecidos ao Pai pela nossa salvação, pelos nossos pecados, pelas nossas necessidades, em comunhão com toda a Igreja militante, com os beatos e com as almas santas do purgatório. Queremos agora os nossos leitores sacerdotes dediquem aos terremotos de Abruzzo o dom extraordinário das intenções da Santa Missa.

Anúncios

Read Full Post »

[Publico uma apressada tradução de alguns trechos de um artigo não muito recente (é do dia 23 de março), mas muito importante. É da autoria da senhora Frances Kissling, nada menos do que a “former president of Catholics for a Free Choice” – versão internacional das “Católicas pelo Direito de Decidir”. Fala o artigo sobre o grande favor que Dom Fisichella fez às pessoas que, agora, podem discutir a possibilidade do aborto direto ser, em alguns casos, um “mal menor” aceitável. Grazie, Monsignore!

O original está aqui. Rezemos pela Igreja.]

Em uma incrível mudança na estratégia do Vaticano de não destoar da sua posição de que o aborto direto não é nunca permitido, ainda que seja para salvar a vida da mãe, a maior autoridade em bioética do Vaticano, o Arcebispo Rino Fisichella, opinou que os médicos brasileiros que efetuaram um aborto em uma criança de nove anos de idade que estava grávida de 15 semanas de gêmeos não mereciam excomunhão.

[…]

[E]ste modesto desvio do arcebispo que preside a Pontifícia Academia para a Vida abre a porta para [que] os católicos que seguem os ensinamentos da Igreja sobre reprodução [possam] discutir a possibilidade de que haja alguns casos – oficialmente reconhecidos – onde as pessoas possam escolher abortar e ter uma consciência tranqüila.

[…]

Ele reafirma que o aborto é “um ato intrinsecamente mau”, mas sugere que, sob certas circunstâncias, ele possa ser o menor de dois males. Ele aceita que a vida da garota estava em perigo, e levanta esta importante questão ética: como nós devemos agir nestes casos? É, ele fala, “uma decisão árdua para os médicos e para a lei moral”. E continua: “a consciência do médico encontra-se a si mesma sozinha, quando é forçada a decidir a melhor coisa a fazer”. Está ele sugerindo que, apesar da posição da Igreja de que objetivamente o aborto é sempre errado, o indivíduo tem alguma liberdade para decidir quando ele pode ser o mal menor entre dois males e um médico pode subjetivamente, em boa consciência, decidir que o aborto era moralmente justificado em casos extremos?

[…]

Se os médicos souberem que alguém, [ocupando uma] alta posição na hierarquia, reconhece que estas situações [gravidezes de alto risco] são dilemas morais nos quais as consciências precisam decidir o que é certo ou errado, eles podem decidir que podem oferecer serviços de aborto. E, naturalmente, isto é o que o Cardeal [sic] Cardoso Sobrinho deseja evitar.

Você pode apostar que haverá uma choradeira dos ultra-conservadores na Igreja, talvez um esclarecimento do Arcebispo, mas o fato é que ele destrancou uma porta através da qual mulheres, doutores e políticos podem se arrastar [creep]. Eu sou grata pelos pequenos favores.

Frances Kissling

Read Full Post »

[Traduzido do site da Conferência Episcopal Espanhola; trata-se de uma campanha produzida pela Conferência, em defesa da vida e que, segundo informações que me foram passadas, está deixando os socialistas furiosos.

Só um comentário: que santa inveja…]

A Conferência Episcopal da Espanha (CEE) põe em marcha desde hoje uma campanha de comunicação com o tema “Protege minha vida!”. A iniciativa se insere no contexto da Jornada pela Vida, que se celebrará no próximo dia 25 de março em todas as dioceses espanholas.

Anunciam-se mudanças legais que, caso se concretizem, darão lugar a uma situação na qual aqueles que estão por nascer ficarão ainda mais desprotegidos do que com a atual legislação. Ao mesmo tempo, parece que a aceitação social do aborto vai aumentando. Neste contexto, a Conferência Episcopal põe em marcha uma campanha de comunicação na qual se distribuirão os materiais habituais que se elaboram cada ano por ocasião da Jornada pela Vida (Notas dos bispos, cartazes e roteiros [guiones] litúrgicos) e, além disso, excepcionalmente, os cartazes serão colocados em outdoors [vallas publicitarias] e serão distribuídos livretos [dípticos] explicativos.

Concretamente, foram enviados 30.000 cartazes para paróquias e centros católicos de toda a Espanha, a partir de hoje e até o próximo dia 30 de março podem-se ver anúncias em 1.300 outdoors de 37 cidades espanholas, e começou-se a distribuir nas dioceses um total de 8 milhões de folhetos.

A campanha tem como protagonistas um ser humano e um lince. Em nossa sociedade, é cada vez maior a sensibilidade sobre a necessidade de se proteger os embriões de várias espécies de animais; as leis tutelam a vida dessas espécies em suas primeiras fases de desenvolvimento. Tudo bem que seja assim; no entanto, é paradoxal que a vida da pessoa humana que vai nascer seja objeto de uma desproteção cada vez maior. Por isso, nos anúncios aparece a pergunta: “e eu?”, entre o menino já nascido e uma série de imagens nas quais se mostram os diferentes estágios da vida humana em gestação. Trata-se de dar voz àqueles que não a têm, porém têm, sim, o direito de viver.

Essas iniciativas unem-se ao Ano de Oração pela Vida que está em curso desde o mês de janeiro último.

Read Full Post »

Respondendo a uma pergunta sobre a posição da Igreja Católica frente ao HIV/AIDS, considerada por alguns como irrealista e ineficiente, o Papa disse:

“É minha convicção acreditar que a presença mais importante no front da batalha contra o HIV/AIDS é de fato a Igreja Católica e Suas instituições. (…) O problema do HIV/AIDS não pode ser superado com meros slogans. Se a alma está deficiente [if the soul is lacking], se os africanos não se ajudam uns aos outros, o flagelo não pode ser resolvido pela distribuição de preservativos; bem pelo contrário, nós corremos o risco de agravarmos o problema. A solução só pode vir através de um duplo compromisso: em primeiro lugar, a humanização da sexualidade – em outras palavras, uma renovação espiritual e humana que traga uma nova maneira de agir para com o outro; e, em segundo lugar, uma amizade verdadeira, sobretudo para com os que sofrem, uma prontidão – mesmo que seja através de sacrifício pessoal – para sustentar [to stand by] aqueles que sofrem”.
[Vatican Information Service]

É bem sabido que a Igreja se opõe ao uso da camisinha; não – como dizem alguns expoentes da ignorância coletiva – porque “prefere que as pesssoas peguem aids do que usem camisinha”, mas exatamente ao contrário: porque Ela sabe que não se pode combater a AIDS sem que se combata primeiro a promiscuidade. Ela sabe que não existem receitas miraculosas, nem panacéias universais para que vivamos em uma Terra sem males. Ela sabe que a insistência em um erro não pode produzir senão erros ainda maiores.

A Igreja – como disse o Papa – é a presença mais importante no front do combate contra a AIDS. E eu diria ainda mais: é a Única que não atrapalha. A Única que vai ao cerne do problema. O Papa afirma claramente que a mera distribuição de preservativos pode até mesmo agravar o problema da AIDS; por tocar na ferida do ídolo moderno, é atacado com violência (tanto que até mesmo o porta-voz da Santa Sé teve que se manifestar). Ao redor do mundo, a França diz que os comentários do Papa são “uma ameaça” e o “representante no Brasil do órgão das Nações Unidas para o combate à doença (Unaids), Pedro Chequer”, chegou a chamar o discurso do Papa de “genocida”. Permanecem, contudo, no mero jogo de palavras; a posição da Igreja – contra a qual se levantam furibundos todos os Seus inimigos – dá resultados.

Por exemplo, na Uganda, a política “ABC” de combate à AIDS (primeiro, Abstinence; depois, Be faithful e só por fim Condom – a ênfase é dada na abstinência, na fidelidade, e só em último lugar na camisinha) é a única no mundo que tem trazido resultados significativos no combate à AIDS.

Por exemplo, em Washington, o embaixador da Suazilândia incentiva a abstinência na luta contra a AIDS. Olhando para as políticas eficazes da Uganda, a Suazilândia também resolveu aplicá-las e, por isso, para a AIDS, “o contágio de pessoas infectadas caiu de 42,6 por cento em 2004 para 39, 2 por cento este ano”.

Por exemplo, o Population Research Institute, da Universidade Estadual da Pensilvânia, afirmou que “a Igreja Católica desempenha um papel essencial na contenção da epidemia de AIDS na África”. Vale citar:

A Tailândia tem aproximadamente sessenta milhões de habitantes. Lá existem fortes programas divulgados para o uso de preservativos. Em agosto de 2003 existiam no país quase 900.000 pacientes registrados com AIDS e, aproximadamente, 125.000 óbitos por AIDS.

Em 1991, a Organização Mundial de Saúde previu para esse intervalo de tempo cerca de 60 a 80.000 casos registrados de AIDs.

Essa cifra se contrapõe aos filipinos católicos com setenta milhões de habitantes. Entre os filipinos quase não existe propaganda de preservativos.

Em 30 de setembro de 2003 havia naquele país exatamente 1.946 pacientes com AIDS e 260 mortes por AIDS. Essa é uma fração dos 80 a 90.000 casos, os quais a Organização de Saúde havia previsto para as Filipinas no ano 2000.

De onde se vê que a Moral Católica não é uma coisa “irreal” e “ineficiente”. Irreal é esperar que coisas boas advenham de comportamentos morais desregrados. Ineficiente é combater a AIDS incentivando a promiscuidade.  Irresponsáveis são os lunáticos irracionais que têm verdadeira fé na salvação do gênero humano pela borracha. Em defesa das vítimas da AIDS, no entanto, existe a Igreja Católica; e, independente dos ataques que Ela sofra, vai continuar a oferecer auxílio aos que sofrem. Mais uma vez, os fatos mostram que Ela está correta; e o próprio estrebuchar dos Seus inimigos revela-o de modo insofismável.

Read Full Post »

[Publico tradução (traditora…) do artigo de Dom Rino Fisichella, Arcebispo presidente da Pontifícia Academia para a Vida, publicado na edição de hoje do L’Osservatore Romano, ao qual se refere – entre outras – esta reportagem. Vale salientar que (a) trata-se de um artigo de um jornal, e não de um documento da Santa Sé; (b) trata-se da posição pessoal de um Arcebispo, e não de uma “crítica do Vaticano”; (c) data maxima venia, trata-se de uma excelente situação na qual Sua Excelência bem que poderia ter ficado calado…

A edição de hoje – Anno CXLIX n. 62 (45.105) domenica 15 marzo 2009 – de L’Osservatore Romano pode ser baixada aqui.]

Sobre a menina brasileira

RINO FISICHELLA *

O debate sobre algumas questões é muitas vezes cerrado e as diferentes perspectivas nem sempre nos permitem considerar o quanto o que está em jogo é verdadeiramente grande. É este o momento no qual se deve guardar o essencial e, por um instante, deixar de lado aquilo que não toca diretamente ao problema. O caso, em sua dramaticidade, é simples. Existe uma menina de apenas nove anos – chamemo-la Carmen – em cujos olhos nós devemos olhar fixamente, sem desviarmos o olhar nem por um instante, para fazê-la entender o quanto nós lhe queremos bem. Carmen, de Recife, no Brasil, foi violentada repetidas vezes pelo jovem padrasto, ficou grávida de dois gêmeos e não terá mais uma vida fácil. A ferida é profunda porque a violência de todo gratuita a destruiu por dentro, o que dificilmente a permitirá no futuro olhar aos outros com amor.

Carmen representa uma história de violência quotidiana e ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife apressou-se a declarar a excomunhão para os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, portanto, teria passado despercebida, tanto se está habituado a sofrer todos os dias fatos de uma gravidade inigualável, se não fosse por causa do tumulto e das razões suscitadas pela intervenção do bispo. A violência contra uma mulher, já grave de per si, assume um valor ainda mais lamentável quando é uma menina a sofrê-la, com o agravante da pobreza e da degradação social na qual vive. Não existem palavras adequadas para condenar tais episódios, e os sentimentos que se seguem são com freqüência uma mistura de raiva e de rancor, que só sossegam [assopiscono] quando vêem a justiça realmente realizada, e a pena a ser infligida ao delinqüente, por sua vez, é certo que seja aplicada.

Carmen deveria ser em primeiro lugar defendida, abraçada, acariciada, com doçura para fazê-la sentir que estávamos todos com ela; todos, sem distinção alguma. Antes de pensar na excomunhão era necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente e fazê-la retornar a um nível de humanidade do qual nós, homens de Igreja, devemos ser anunciadores e mestres especialistas [esperti]. Assim não foi feito e, portanto, sofre as conseqüências [ne risente] a credibilidade do nosso ensinamento, que aparece aos olhos de tantos como insensível, incompreensível e privado de misericórdia. É verdade, Carmen trazia dentro de si outras vidas inocentes como a sua, também frutos da violência, e foram suprimidas; isto, no entanto, não basta para emitir um julgamento que pesa como um machado.

No caso de Carmen, encontram-se a vida e a morte. Por causa de sua pouquíssima [giovanissima] idade e das condições de saúde precárias, a sua vida estava em sério risco por causa da gravidez. Como agir nestes casos? Decisão difícil para o médico e para a própria lei moral. Escolhas como esta, ainda se com uma casuística diferente, repetem-se todos os dias nas salas de reanimação, e a consciência do médico encontra-se sozinha com ela mesma no ato de ter que decidir o que é melhor a se fazer. Nenhum, entretanto, chega a uma decisão deste gênero com desenvoltura: é injusto e ofensivo até mesmo pensá-lo.

O respeito devido ao profissionalismo do médico é uma regra que deve envolver todos, e não se pode consentir que se faça um juízo negativo, sem primeiro ter considerado o conflito que se criou em seu íntimo. O médico traz consigo a sua história e sua experiência; uma escolha como aquela de precisar salvar uma vida, sabendo que põe em sério risco uma segunda, nunca é vivida com facilidade. Certo, alguns se habituam às situações para, assim, não experimentarem mais as emoções; nestes casos, porém, a escolha de ser médico degrada-se em apenas uma ocupação vivida sem entusiasmo e passivamente. Fazer de todas as plantas um feixe [Fare di tutta un’erba un fascio], no entanto, além de incorreto seria injusto.

Carmen nos propôs um caso moral entre os mais delicados; tratá-lo precipitadamente não redundaria em justiça, nem para com a sua frágil pessoa, nem para com tantos quanto estão envolvidos, de várias maneiras, na sua história. Como todos os casos singulares e concretos, no entanto, merece ser analisado em sua peculiaridade, sem generalizações. A moral católica tem princípios dos quais não pode prescindir, ainda que quisesse. A defesa da vida humana desde a sua concepção é um destes, e se justifica pela sacralidade da existência. Todos os seres humanos, de fato, desde o primeiro instante carregam impressa em si a imagem do Criador, e por isto estamos convencidos de que devemos reconhecer a diginidade e os direitos de todas as pessoas, antes de tudo aqueles da sua intocabilidade e inviolabilidade.

O aborto provocado é sempre condenado como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece inalterado em nossos dias, desde os primeiros da Igreja. O Concílio Vaticano II na Gaudium et Spes – documento de grande abertura e compreensão [accortezza] no  tocante ao mundo contemporâneo – usa de maneira inesperada palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto. A própria colaboração formal constitui uma culpa grave que, quando realizada, traz automaticamente para fora da comunidade cristã [porta automaticamente al di fuori della comunità cristiana]. Tecnicamente, o Código de Direito Canônico usa a expressão latae sententiae para indicar que a excomunhão ocorre justamente no próprio momento no qual o fato acontece.

Não havia necessidade, repetimos, de tanta urgência e publicidade em declarar um fato que atua de maneira automática. Aqueles dos quais se sentem mais a necessidade neste momento são o sinal de um testemunho de proximidade com quem sofre, um ato de misericórdia que, mantendo firme o princípio, é capaz de olhar para além da esfera jurídica e alcançar aquilo que o direito mesmo estabelece como escopo de sua existência: o bem e a salvação de quantos acreditam no amor do Pai e de quantos acolhem o Evangelho de Cristo como as crianças, que Jesus chamava a Si e estreitava entre Seus braços, dizendo que o Reino dos Céus pertence a quem se lhes assemelha.

Carmen, estamos ao teu lado. Dividimos contigo o sofrimento que experimentaste, e gostaríamos de fazer de tudo para restituir-te a dignidade da qual foste privada e o amor do qual tens agora mais necessidade. São outros que merecem a excomunhão e o nosso perdão, não os que te permitiram viver e te ajudaram a recuperar a esperança e a confiança. Não obstante a presença do mal e a maldade de muitos.

* Arcebispo presidente da Pontifícia Academia para a vida.

Read Full Post »

[Publicação original: 15 de dezembro de 2008]

Carta de um Arcebispo

[traduzida daqui]
Casa do Arcebispo
790 Brunswick Street
New Farm
Australia

22 Agosto de 2008

Rev. Padre P. Kennedy,
administrador da Paróquia de Santa Maria (St. Mary’s Parish)
20 Merivale Street
South Brisbane

Caro Peter e comunidade,

Obrigado por suas cartas. Tenho recebido uma grande quantidade de correspondência a respeito de St. Mary’s, pedindo para que a paróquia não fosse fechada. A questão para mim não é tanto se St. Mary’s deve ser fechada, mas se St. Mary’s vai fechar a si própria através de práticas que a separam da comunhão com a Igreja Católica Romana.

Há muito que se admirar em St. Mary’s, especialmente sua paixão pela justiça social. Eu acho isso inspirador. No entanto, os problemas em St. Mary’s não são tanto sobre justiça social, tema importante como é, mas sobre a comunhão de St. Mary’s com a Igreja Católica Romana, com a qual ela está ligada e para a qual foi fundada. Este problema da sua comunhão surgiu somente nos últimos anos. Eu falei sobre ele em uma carta ao senhor no dia 19 de julho de 2004. A controvérsia naquela época era a respeito da prática de administração do Batismo em St. Mary’s, mais tarde declarado inválido por um decreto da Congregação para a Doutrina da Fé de 2008 .[Nota do VS: Esta foi uma das paróquias cuja prática resultou neste documento da CDF). Infelizmente, minha carta de 2004 sobre esta questão da comunhão com a Arquidiocese foi largamente desprezada pela paróquia e suas lideranças como não importante, talvez até ridícula. A mais recente acusação contra St. Mary’s refere-se à colocação de uma estátua budista na Igreja, junto com questões sobre a ortodoxia de suas orações eucarísticas e a administração da Eucaristia.

Uma estátua budista numa Igreja ou Santuário Católico simplesmente não faz sentido. Sua presença, entretanto, de nenhuma maneira justifica a utilização de violência para destruí-la. Não obstante, somente uma imprudência extrema poderia colocar uma estátua budista numa Igreja Católica. Não importa onde ela esteja, há total possibilidade de que ela desperte sentimentos de fúria, particularmente entre cristãos de diferentes culturas religiosas.

Entretanto, o incidente da estátua é apenas um exemplo de prática inapropriada na paróquia. St. Mary’s parece ser a sua própria autoridade. A despeito do bem que faça, ela se coloca fora das práticas da Igreja Católica. Conseqüentemente, nós podemos muito bem perguntar: é ela uma paróquia em comunhão com a Igreja Católica, ou uma comunidade em cisma? Não há duvidas de que St. Mary’s promove um forte senso de comunidade, mas o mesmo fazem muitas outras comunidades como Hillsong em Sydney, que acolhe a todos e se achega aos pobres, mas visivelmente não está em comunhão com a Igreja Católica Romana.

Mais uma vez, eu gostaria de indicar algumas matérias que rompem a comunhão com a Igreja Católica Romana:

1 – A questão de Fé

Os católicos acreditam em um Deus Trino, Pai, Filho e Espírito Santo. Nosso Deus é um Deus de amor. As pessoas da Trindade vivem em uma comunhão de mútuo amor. Tão grande é o amor dentro da Trindade que ele transborda na Segunda Pessoa da Trindade, que se faz homem e vive entre nós como Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador, único mediador da nossa Salvação. Em St. Mary’s, Jesus Cristo é aceito como Senhor e Salvador, como Filho de Deus, ou é Jesus considerado apenas como outra pessoa sagrada como Buda ou Maomé? Certamente, em tais circunstâncias, a colocação de uma estátua budista em uma Igreja Católica provoca extrema confusão. Em St. Mary’s há uma forte ênfase em Jesus como profeta da justiça social, como campeão dos pobres e necessitados, o que é bom. Mas é dada uma ênfase igual a Jesus como amante do Pai e homem de oração, que em Lucas 5,16 deixa pessoas doentes e sofridas para retirar-se e orar ao Seu Pai, tão importante é a “vontade do Pai”? O Papa Bento XVI escreveu em 2004: “A primazia do culto é o pré-requisito fundamental para a redenção de todos os homens”. Hoje em dia, freqüentemente é dada muito pouca atenção a Deus e ao culto, e muita atenção à ação, importante em si mesma, mas necessitada de estar absolutamente ligada à oração e ao culto. Hoje, em nosso mundo secular, nunca houve uma grande necessidade de se entender Jesus e Sua visão. Infelizmente, hoje o aspecto mais excitante da visão cristã dificilmente é entendido pelos cristãos. É impressionante o número de pessoas que se satisfazem perguntando “o que Jesus faria?”. Somente pessoas muito humildes e santas aceitariam responder a esta questão e, se elas o fizessem, seria com a maior cautela. É impressionante como algumas pessoas têm certeza de que sabem o que Jesus faria, ao mesmo tempo em que neglicenciam 2000 anos de sabedoria do Espírito Santo disponível na Igreja.

2 – A questão da Liturgia

Decisões “ad hoc” foram tomadas em St. Mary’s a respeito da Liturgia, com certeza nos Sacramentos do Batismo, da Confirmação e do Matrimônio, e especialmente no Sacramento da Eucaristia. A respeito do Batismo, eu ainda não estou certo de que, mesmo agora, o ritual válido seja sempre utilizado. Foi sugerido que pedidos ainda podem ser feitos para a utilização de diferentes formas, de acordo com o desejo dos envolvidos. Outrossim, o Sacramento do Matrimônio às vezes despreza completamente os requisitos normais da Igreja para a validade. Alguns casamentos parecem acontecer sem o menor respeito à Lei Canônica.

No Sacramento da Eucaristia, membros da assembléia parecem recitar as palavras da Consagração, que dentro de um ortodoxo rito Católico devem ser ditas somente pelo ministro ordenado. As orações eucarísticas aprovadas pela Igreja são completamente desprezadas, em favor de orações selecionadas aleatoriamente.

3 – A questão de Governo

Padre Petter Kennedy tem sido administrador de South Brisbane por muitos anos. Ele foi indicado legitimamente pela Arquidiocese. Padre Terry Fitzpatrick nunca foi indicado para St. Mary’s. Ele é um padre da Diocese de Toowoomba que se apossou da paróquia de St. Mary’s no início dos anos 90 com a aprovação dos paroquianos. Ninguém nega que ele tenha praticado o bem, mas em nenhum momento ele foi indicado oficialmente para St. Mary’s pela Arquidiocese de Brisbane. A despeito de sua falta de autoridade, em numerosas ocasiões ele falou à mídia sobre St. Mary’s como se fosse o pároco. Como eu falei em minha carta de 19 de julho de 2004, St. Mary’s tende a ser “congregacional em governo e em cultura”. Ela não parece ser conduzida por um líder apontado oficialmente como as paróquias católicas geralmente o são. A relutância de seus padres em serem vistos como ministros liturgicamente ordenados, diferentes dos membros leigos de sua congregação, parece ser outro indicativo de sua recusa em aceitar qualquer diferença entre os membros ordenados e os não-ordenados. A estrutura pastoral da Igreja Católica foi desenvolvida ao longo de milhares de anos. E ela certamente não é baseada em liderança congregacional.

4 – A questão da Autoridade

A Igreja Católica Romana tem uma certa estrutura que precisa ser respeitada. Às vezes, o seu poder pode ser abusado. Ao mesmo tempo, o reconhecimento da autoridade e do Magistério da Igreja é necessário para a comunhão com a Igreja. A autoridade da Igreja brota em última instância de Jesus, a Palavra de Deus, que entregou a Sua autoridade para os Apóstolos. A Tradição Apostólica, que perpetua a autoridade de Jesus, é expressa através do Papa junto com os Bispos da Igreja. Rejeitar deliberadamente esta autoridade apostólica é colocar-se fora da comunhão com a Igreja Católica Romana.

Na verdade, St. Mary’s de South Brisbane tomou uma paróquia católica e estabeleceu lá sua própria marca de religião. Indubitavelmente ela pratica o bem, ela promove um forte senso de comunidade, abre suas portas para todos os que desejam vir, mas o seu estilo próprio de culto e administração sacramental dificilmente pode ser descrito como Católico Romano. Como tal, ela está fora da comunhão com a Arquidiocese Católica Romana de Brisbane e com a Igreja Católica Romana Universal sob a liderança do Bispo de Roma.

Minha autoridade como Arcebispo da Arquidiocese de Brisbane é escassamente reconhecida pela paróquia de St. Mary’s. Não é fora de propósito considerar que, em St. Mary’s, sempre houve criticismo contra o Papa João Paulo II. Se tal criticismo aos Papas amplia-se ainda mais, eu não sei. Um criticismo básico contra a Igreja ainda parece florescer em sua comunidade. Desde o tempo de São Pedro e Judas, a Igreja nunca repudiou a humanidade. Não obstante a fraqueza de alguns dos seus membros e algumas vezes de seus líderes, não há outro caminho para encontrar Jesus que não seja a Igreja. As palavras de São Pedro ditas a Jesus (Jo 6, 68), quando parecia que os Apóstolos iam abandoná-lo, foram: “Senhor, para quem iremos? Só tu tens palavras de Vida Eterna”. A despeito de suas culpas e falhas, os católicos sabem que o lugar de encontro supremo com Jesus é na Igreja. Entre as cartas escritas a mim nesta semana, uma delas disse muito claramente que St. Mary’s acredita que “é a Igreja Institucional no mundo moderno, e não St. Mary’s, que está em descompasso com o que Jesus falou e o exemplo que Ele deu”. É precisamente aqui que repousa o problema. St. Mary’s parece reivindicar para si própria isoladamente uma autoridade e autenticidade que pretencem somente à Igreja Católica Romana inteira. Quando a paróquia de St. Mary’s foi estabelecida originalmente, ela estava em comunhão com a Arquidiocese, com a Igreja Católica Romana, e com a multidão de paróquias que, juntas, formam a comunhão desta Arquidiocese. Infelizmente esta comunhão de St. Mary’s com a Igreja parece não existir mais. St. Mary’s existe independentemente da Arquidiocese. Minha esperança é que St. Mary’s coloque-se novamente em comunhão com a Igreja Católica Romana à qual ela esteve originalmente ligada e na qual ela se rejubilou. Agora, só depende de St. Mary’s tomas quaisquer decisões que sejam necessárias à sua existência futura. Vou rezar para que estas decisões sejam tão sábias no presente quanto o foram no passado. E rezarei também para que Maria, a Mãe de Jesus, em homenagem a quem St. Mary’s é nomeada, possa interceder a fim de que a sabedoria do Espírito Santo de Deus desça sob a Sua paróquia.

Sinceramente em Cristo,

+ John Bathersby
Arcebispo de Brisbane

Read Full Post »

Não tive lá muito tempo disponível nos últimos dias para acompanhar os debates cá do Deus lo Vult! sobre o Concílio Vaticano II (aliás, há um debate pendente com o senhor Sandro que está na minha lista de coisas a fazer; Sandro, não se preocupe, que eu não me esqueci do senhor), o que é uma grande pena; mas há um comentário do sr. Antonio que foi feito sobre o qual eu gostaria realmente de tecer alguns comentários.

Ele começa com considerações sobre a Missa Nova, citando um texto que explica como há, no Novus Ordo Missae, “certas características de rito e de culto objetivamente coincidentes com a doutrina protestante da “Ceia do Senhor” e com a Nova Teologia — teologia não apenas reforçada pela Missa Nova, mas também gênese-inspiração de sua própria fabricação”. Gostaria de deixar este assunto de lado por enquanto, porque o problema aqui é essencialmente diferente daquele do Concílio, por diversos motivos. Basta por enquanto afirmar que a Santa Missa no rito em que é celebrada na virtual totalidade da Igreja Atual é, sem sombra de dúvidas, verdadeiro e próprio Sacrifício, é válida e lícita, nem herética e nem “heretizante”. Em outra oportunidade, volto a estes pontos, para explorá-los com mais detalhes; por enquanto, quero me debruçar sobre a questão do Concílio.

Comentei – e, aliás, mantenho – que qualquer documento magisterial, não importa o quão claro seja, infalível ou não, é passível de distorções, e citei como exemplo a Unam Sanctam (Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice), da qual se pode inferir a inexistência do Batismo de Desejo (tese condenada do pe. Jesuíta Leonard Feeney); contra isto, o sr. Antonio fez cinco ponderações, que cito abaixo:

1) O Vaticano II dá muito mais oportunidade para isso do que a Unam Sanctam; 2) Dessa bula o feeneyismo só falsamente se alimenta desvirtuando-se aquele pequeno excerto, enquanto que no Vaticano II o erro é por vezes apresentado nas autocontradições ao longo de suas páginas ou mesmo nas orações adversativas; 3) O feeneyismo, que de uma má interpretação daquela bula pode surgir, não prejudica os adeptos ignorantes desse erro tal como o faz o erro oposto do irenismo relativista, não condenado e até insinuado pelo texto e pelo espírito ecumenista do Vaticano II; 4) Ao contrário do espírito geral de compromisso e ambigüidade para fazer aprovar por vasta maioria de votos os documentos do Vaticano II, e para depois interpretar à maneira querida por muitos de seus redatores, a bula Unam Sanctam não foi escrita para, nem pensando em, o erro que depois a instrumentalizou; 5) O Vaticano II possibilita uma matiz tão mais vasta de interpretações, desde aquela dita “conservadora” (modernismo light) até aquela mais progressista, que condenar uma concede até força para as demais e também erradas interpretações, mesmo que mais brandas ou parcialmente erradas.

Ora, do exposto, segue-se que o problema do Vaticano II seria meramente de grau, e não de essência. Mantenho: quaisquer documentos católicos, infalíveis ou não, conciliares ou dos Santos Padres, das Escrituras Sagradas, do Concílio de Nicéia ao Vaticano II, são passíveis de más interpretações, e é exatamente por isso que a interpretação legítima de quaisquer textos católicos compete ao Magistério da Igreja, e não a particulares.

Com algumas das ponderações feitas dá para concordar; com outras, não. Se eu certamente concordo que o Feeneyismo “só falsamente se alimenta desvirtuando-se aquele pequeno excerto”, no entanto afirmo igualmente que o modernismo só falsamente se alimenta do Vaticano II, desvirtuando-lhe o sentido verdadeiro. A diferença de grau (que reconheço existir) pode ser muito razoavelmente creditada à extensão dos textos que o Vaticano II deixou, ou à má-intenção dos inimigos da Igreja que se apropriaram indevidamente dos documentos conciliares; não é necessário alegar uma “maldade intrínseca” do Concílio para tanto.

A quinta ponderação diz que o Concílio permite interpretações que vão “desde aquela dita “conservadora” (modernismo light) até aquela mais progressista”. Ou seja: a “faixa interpretativa” do Vaticano II seria limitada de um lado pela “heresia light” e, do outro, pela “heresia heavy”, o que é a mesma coisa que dizer que o Concílio é vere et proprie herético, pois incapaz de se prestar a uma interpretação ortodoxa! Com isso, é impossível concordar. Já afirmei aqui (e mantenho) que o Concílio é, sim, passível de descalabros interpretativos heréticos, mas também é (e, aliás, esta é a única forma na qual é lícito entender o Concílio) passível de interpretações ortodoxas. Não imagino estar sozinho nesta minha posição; também o Papa Bento XVI, no já célebre discurso de natal à Cúria Romana, afirmou claramente:

Assim podemos hoje, com gratidão, dirigir o nosso olhar ao Concílio Vaticano II: se o lemos e recebemos guiados por uma justa hermenêutica, ele pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a sempre necessária renovação da Igreja.

O Vaticano II, portanto, pode ser justamente interpretado [e adianto que a “renovação da Igreja” não tem nada a ver com a “criação de uma Nova Igreja”, posto que esta última é precisamente a interpretação condenada pelo Santo Padre poucas linhas atrás] e deve ser justamente interpretado. Outra forma de encará-lo é inútil e só pode conduzir ao erro.

Gostaria de fazer somente mais dois comentários. Primeiro, há mais um clássico exemplo de texto magisterial historicamente mal-interpretado (e que, aliás, alguns interpretam erroneamente até hoje): trata-se da liberdade religiosa. Eu trouxe aqui, no debate com o Sandro sobre este assunto, uma citação do Beato Pio IX citada por Dom Estêvão na Pergunte & Responderemos, que reproduzo mais uma vez:

O autêntico significado do pensamento de Pio IX foi formulado pelo Bispo de Orleães, Mons. Dupanloup, num escrito que, aos 26/01/1865, comentava a Encíclica Quanta Cura e o Syllabus:

“O Papa condena o indiferentismo religioso, esse absurdo que de todos os lados e em todas as tonalidades nos é incutido hoje em dia, a saber: o Evangelho ou o Alcorão, Buda ou Jesus Cristo, o verdadeiro e o falso, o bem e o mal, tudo é igual… Condenar a indiferença em matéria de religião não é condenar a liberdade política dos cultos”.

Ora, Pio IX, aos 04/02/1865, respondeu elogiosamente a Mons. Dupanloup, dizendo:

“Reprovastes tais erros no sentido em que Nós mesmos os reprovamos… Estais em condições de transmitir aos vossos fiéis o nosso autêntico pensamento pelo fato mesmo de terdes refutado energicamente as interpretações errôneas do mesmo” (o texto de Pio IX encontra-se na sua íntegra latina no estudo de R. Aubert: Mgr Dupanloup et le Syllabus, em Revue d’Histoire Ecclésiastique, Louvain 51, 1956, p. 913).

[Pergunte & Responderemos, n. 516, junho de 2005, pp. 257-258]

E grifo: Condenar a indiferença em matéria de religião não é condenar a liberdade política dos cultos. Não é de hoje que o ensino da Igreja é mal-entendido; no tocante à liberdade religiosa, pelo menos desde Pio IX que ele é mal entendido! Portanto, tal prerrogativa não é exclusiva do Concílio Vaticano II. É importante mostrar o ensino católico; e não ficar no lenga-lenga de joeirar o Magistério e “pescar”, nos documentos emanados de Roma, o que é ortodoxo e o que não é.

O segundo comentário é sobre a entrevista de Dom Tissier; disse o bispo da Fraternidade, grosso modo, que, do fato de Lefebvre ter assinado os documentos conciliares, não segue que ele os tenha aceitado (!), porque num concílio todas as pessoas são obrigadas a assinar todos os documentos (in a collegial decision, even if you do not agree with the decision, you have to sign it). Como não tenho conhecimento sobre este assunto, embora ache muitíssimo estranho, vou me abster de criticar, pois isto é um ponto de somenos importância. O pior aqui é o que Dom Tissier diz depois, que vou até colocar o original em inglês ao lado da minha tradução traditora para que me corrijam se eu houver falsificado as palavras do bispo:

Mais do que à luz da Tradição, nós realmente devemos ler e interpretar o Vaticano II à luz da nova filosofia. Nós temos que ler e entender o Concílio em seu real significado, quero dizer, de acordo com a nova filosofia. Porque todos os teólogos que produziram os textos do Vaticano II estavam imbuídos da nova filosofia. Nós temos que lê-lo desta maneira, não para aceitá-lo, mas para entendê-lo como os teólogos modernos – que redigiram os documentos – o entendem. Ler o Vaticano II à luz da Tradição é não o ler corretamente.
[Rather than read Vatican II in light of Tradition, we really should read and interpret Vatican II in light of the new philosophy. We must read and understand the Council in its real meaning, that is to say, according to the new philosophy. Because all these theologians who produced the texts of Vatican II were imbued with the new philosophy. We must read it this way, not to accept it, but to understand it as the modern theologians who drafted the documents understand it. To read Vatican II in light of Tradition is not to read it correctly.]

E isso, evidentemente, não é um argumento. O Vaticano II é herético e deve ser condenado simplesmente porque é um erro interpretá-lo de maneira ortodoxa! Não importa quantas vezes o Papa diga que o Concílio não deve ser interpretado como uma ruptura. Oras, dizer que o Concílio está errado porque é a priori errado interpretá-lo do jeito certo é uma clara petitio principii. Com estes pressupostos absurdos, não existe debate teológico possível, e sim apenas uma “dissecação” dos alegados “erros conciliares”, contra os quais não cabe resposta alguma pelo simples e axiomático fato de que é errado não achar erros no Concílio.

Read Full Post »

Older Posts »